sexta-feira, 4 de novembro de 2011

ÁRVORES do bairro Cambuí, Campinas:

O ajardinamento público, a arborização viária do bairro, e da cidade de Campinas foram realizados para, juntamente à outras melhorias urbanas, transformar suas péssimas condições sanitárias do século XIX, resgatando a auto-estima do campineiro e a sua qualidade de vida, após várias epidemias, que dizimaram e expulsaram parcela significativa de sua população.
O acúmulo de capital oriundo da cultura do café permitiu a criação do grande patrimônio arbóreo, tanto do bairro, atualmente, com 47.000 moradores, quanto de Campinas, referendando-a nacionalmente quanto à qualidade técnica de sua arborização. Hoje, a falta de fiscalização, de planejamento, acompanhamento e manejo técnicos por parte do DPJ, de práticas adequadas por parte das concessionárias de serviços públicos aéreos e subterrâneos (CPFL, COMGÁS e SANASA), a especulação imobiliária, prestadores de serviços, comércio, a própria população, o tráfego intenso e a poluição de veículos, tornam crítico o estado atual dessa arborização, ameaçando a história do bairro.
Realizou-se o censo da arborização viária do bairro, totalizando 2.087 plantas de calçada vivas, distribuídas em 117 espécies, 94 gêneros e 42 famílias identificadas, 21 indivíduos arbóreos e 12 palmeiras não identificadas, além, de 74 mortas.
Existem 25,2 árvores a cada Km de calçada evidenciando uma carência, de 74,8 árvores/Km, nos seus 82.880m de passeio, resultando num total de 6.199 indivíduos, segundo a Lei 11.571.
Os principais problemas foram: afloramentos de raiz (24,39%), árvores desequilibradas por poda (22,62%), pragas (6,09%) e doença (1,39%). As substituições recomendadas por risco, sub-aproveitamento do local de plantio (pela utilização de arbustos), senescência das árvores e morte totalizam 497 indivíduos (23,81%).
A espécie predominante foi a sibipiruna, Caesalpinia pluviosa DC., com 261 indivíduos (12,51%). As nativas representaram 1.117 exemplares (53,5%), distribuídas em 46 espécies; as exóticas, 937 (44,9%).
As 10 primeiras espécies concentram (54,2%), 1.131 árvores, destacando-se a presença de 5 nativas e 5 exóticas (2 delas arbustivas); a primeira colocada desta categoria, a pata de vaca, Bauhinia variegata L., com 129 indivíduos (6,18%).
Este bem comum deve ser o foco de políticas públicas que garantam a sua efetiva proteção. Como um dos benefícios à municipalidade, destaca-se, a área ocupada pela copa das árvores (13,92ha), superior à de várias áreas verdes centrais municipais.
Isso representa cerca de 139.200 m² de cobertura de copas de árvores em calçadas para 47.000 moradores, resultando em apenas 2,96 m² de verde nos passeios do bairro por habitante. Diversas instituições e o próprio Governo do Estado recomendam a relação de 100 m² de área de copa de árvores per capta. Logo, mesmo considerando as 33 praças locais, temos um enorme déficit ambiental a ser sanado. O bairro considerado “mais arborizado” de Campinas possui uma carência de mais de 6.100 árvores, somente em suas calçadas!
As árvores nos oferecem gratuitamente os serviços ambientais de purificação e umidificação do ar, protegendo-nos contra doenças respiratórias e alérgicas. Filtram os raios do sol, ajudando-nos na defesa contra o câncer de pele. Oferecem a sombra refrescante que nos alivia em dias quentes, poupando o uso de aparelhos condicionadores de ar e gastos de energia. Essa mesma sombra também contribui para aumentar a durabilidade da pavimentação pública; bem como, nos convida ao passeio pelo bairro reduzindo a violência urbana, pela presença constante dos cidadãos nas ruas da cidade. Elas retém a chuva, minimizando enchentes e alagamentos. Abrigam e alimentam os pássaros que nos alegram com sua melodia. Além disso tudo, generosamente nos dão paz e beleza, acalentando a nossa vida cotidiana. Essas cidadãs de grande estatura geram saúde, economia, conforto, prazer e ainda agregam valor aos imóveis e locais privilegiados por suas copas.
Após esse estudo realizado com o apoio da "Movimento Resgate o Cambuí", da Sociedade Civil dos Amigos do Bairro Cambuí, do CNPq e CAPES, pode-se caracterizar as condições da arborização e com base nesse diagnóstico, começaram a ser implementadas ações pró-ativas e em defesa da comunidade. Compôs-se um importante banco de dados com todas as árvores do bairro, suas características e estado geral. Denunciou-se 70 ações irregulares aos órgãos públicos como extrações e podas indevidas, elaborando-se e protocolando-se laudos técnicos que até o momento não foram devidamente respondidos pelo DPJ e atualmente tem-se o "controle" do que ocorre irregularmente com a arborização do bairro.
Um trabalho muito importante motivado por este estudo foi a constituição de um programa denominado "Cambuí Verde", que é uma ação voltada para a Comunidade que completará 135 árvores de calçadas plantadas até outubro de 2011. Com isso espera-se a composição de um acervo ambiental para a comunidade, de modelos de canteiros e de espécies de árvores, além do uso da boa técnica no trato com a arborização visando a alteração das práticas atuais, extremamente prejudiciais às árvores e à sua sobreviência no meio urbano, ou seja, buscando a sustentabilidade urbana.
Também, atualmente, há um grande grupo de discussão sobre a questão da arborização municipal que conta até o momento com o apoio e contribuições de mais de 120 profissionais. Esse grupo atuante, fornece subsídios e suporte para a Comissão Técnica Consultiva em Arborização Urbana de Campinas, que começou a atuar este ano, 8 anos de atraso, com relação ao exigido pela Lei nº11571.
Em breve será entregue às autoridades competentes um dossiê sobre as condições da arborização municipal. O trabalho foi realizado por diversos técnicos da área ambiental e vem sendo organizado pelo Eng. Florestal José Hamilton, apoiado pela Resgate e diversas entidades da cidade de Campinas.

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