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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Um país sem governo

Ethevaldo Siqueira

Coluna do Estadão de domingo, 12 de agosto de 2012

Quem viveu, como eu, na semana passada, o pesadelo de utilizar grandes aeroportos brasileiros, como o Galeão ou Guarulhos, sentiu na pele certamente o que é a humilhação a que estamos sendo submetidos por policiais e funcionários arrogantes, prepotentes e autoritários, embora pagos, suprema ironia, com o dinheiro de nossos impostos.

Como milhões de outros cidadãos, sinto vergonha de viver em um país sem governo, sem justiça e sem o menor respeito por seu povo. É triste reconhecer, leitor, mas a impunidade triunfa no Brasil de 2012. A cada dia que passa, mais empresas e cidadãos são desrespeitados em seus direitos fundamentais, nos aeroportos, na alfândega, na vigilância sanitária, nos portos, nas rodovias, nas greves selvagens, nas universidades paralisadas há meses.

A omissão não é apenas do Executivo, mas do governo como um todo, incluindo Congresso e a Justiça. Nem o Ministério Público, que tem prestado bons serviços nos últimos anos, dispõe-se a enfrentar a imensa chantagem a que estamos submetidos.

Somos reféns

Diante de greves selvagens, eu, você, todos os brasileiros, estamos de joelhos, somos reféns, nas mãos de qualquer grupelho sindical ou corporação profissional. Essas entidades sabem que não há qualquer limite para seus protestos.

Aliás, a ousadia e a violência desses movimentos crescem à medida que as entidades representativas de cada categoria se sentem mais poderosas e organizadas. Até porque sabem que o governo não coíbe nenhum excesso e não se opõe à ação desses novos donos do poder.

É claro que ninguém é, nem poderia ser, contra as reivindicações justas de nenhuma categoria. Nem contra o direito de greve, nos limites da lei. No entanto, não se pode violar, impunemente, o direito dos cidadãos que nada têm a ver com as discórdias ou dissídios bilaterais. O mundo civilizado e democrático não tolera atos e manifestações violentas contra a população ou a destruição do patrimônio público ou privado.

Mas o que acontece no Brasil de hoje? Aqui, os novos donos do poder fecham hospitais, bloqueiam vias públicas, interrompem serviços essenciais e de emergência. E riem na nossa cara, porque a impunidade é total. Sabem que não serão presos, não perderão o emprego e, no final, receberão todos os dias parados e conseguirão reajustes superiores à inflação.

E quem paga a conta? Eu e você, leitor.

As mal-amadas

A recente crise do celular mostrou quem é quem na telefonia móvel, o papel e o desempenho das operadoras, da Anatel e do governo – bem como a responsabilidade de cada um desses players na solução dos problemas do setor.

É claro que as operadoras de celular são odiadas por grande parcela da população. Para alguns, simplesmente por serem empresas privadas. Para outros, porque algumas prestadoras têm capital estrangeiro. E para a maioria, com muito mais razão, porque todas prestam serviços medíocres e atendem mal os seus clientes. A suspensão da venda de celulares por 11 dias, imposta a três operadoras pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), comprovou o quanto essas empresas precisam melhorar.

Outra lição da crise foi o reconhecimento público pela agência reguladora de que sua fiscalização tem sido pouco eficaz no combate aos maus serviços. Vamos cobrar, portanto, nova postura da Anatel.

Cordeiros

O cidadão brasileiro parece ter paciência infinita, ovina ou bovina, mesmo sendo desrespeitado todos os dias, em todos os setores, não apenas por operadoras de telefonia, mas nos transportes, hospitais públicos, seguradoras de saúde, previdência ou segurança e pela maioria das empresas prestadoras de serviços.

Muitos perguntam por que o governo e suas agências não dizem toda a verdade e passam a enfrentar seriamente os abusos e os maus serviços. A resposta é simples. Primeiro, por estarem conscientes de prestar os piores serviços nas áreas estatais. Segundo, porque é mais fácil jogar para a torcida.

Buscar popularidade com punições draconianas e fogos de artifício não resolve. Desse modo, o governo finge que nos defende – como nos juros bancários, controlados pelo próprio Banco Central, e na telefonia, em que fiscaliza mal. Isso só desvia por algum tempo a atenção da população da montanha de mazelas denunciadas diariamente pela mídia, envolvendo escândalos, corrupção, obras superfaturadas, impostos escorchantes e ineficiência estatal.

Hora de reagir

Por que a maioria esmagadora dos brasileiros não reage? Talvez por falta dessa consciência fundamental de cada cidadão, de que somos nós quem paga impostos equivalentes a quase 40% do Produto Interno Bruto e não recebemos em contrapartida serviços minimamente decentes.

Em lugar da cínica operação padrão dos policiais, o Brasil poderia e deveria por em prática a verdadeira operação padrão respeitável, que é a rigorosa aplicação da lei, da justiça e do respeito à população.

Não se cale, leitor. Grite, infernize todo mau político, use a internet e todos os instrumentos democráticos para denunciar o abuso, a corrupção, a violência e a mentira. Use todas as armas republicanas ao seu alcance para combater esse estado de coisas. Aproveite cada eleição para dar troco, pelo voto.

Um dia, talvez, tenhamos governo que jogue de nosso lado.

Esta matéria é do site: http://blogs.estadao.com.br/ethevaldo-siqueira/2012/08/10/um-pais-sem-governo/

Osho: O RIO E O OCEANO Diz-se que, mesmo antes...

O RIO E O OCEANO

Diz-se que, mesmo antes de um rio cair no oceano ele treme
de medo.
Olha para trás, para toda a jornada,os cumes, as montanhas,
o longo caminho sinuoso através das florestas, através dos
povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto que entrar
nele nada mais é do que desaparecer para sempre.
Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar.
Ninguém pode voltar.Voltar é impossível na existência. Você
pode apenas ir em frente.
O rio precisa se arriscar e entrar no oceano.
E somente quando ele entra no oceano é que o medo
desaparece.
Porque apenas então o rio saberá que não se trata de
desaparecer no oceano, mas tornar-se oceano.
Por um lado é desaparecimento e por outro lado é
renascimento.
Assim somos nós.
Só podemos ir em frente e arriscar.
Coragem !! Avance firme e torne-se Oceano!!!
Osho

http://pensador.uol.com.br/frase/NTE2MDM1/

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Convidamos a todos para o próximo plantio de árvores no bairro Cambuí, em Campinas, pelo Projeto Cambuí Verde.


















Realizaremos, também, a reposição das 2 tipuanas na Rua 14 de dezembro, além de outras que tiveram de ser removidas, cumprindo mais um compromisso assumido com a comunidade.


Data:18/08/12 (sábado)
Horário: 9:00 hs
Local de encontro: Rua Cel Quirino 1592 - Cambuí
Informações: tel 32517280 ou nos celulares 9122-3426 (José Hamilton) / 9113-9312 (Tereza)

Venha ser mais um incansável plantador e cuidador das árvores e de nossa qualidade de vida.
Haverá uma aula de demonstração inicial de como plantar árvores e sobre os canteiros nas áreas urbanas ,para capacitar a todos os presentes.
O plantio é feito por voluntários. Cada um faz o trabalho que pode e quer .
Se você for encontrar o grupo em horário diferente das 9h, favor ligar nos celulares acima para saber onde estaremos. A permanência de tempo
no evento é livre, de acordo com a vontade individual de cada participante.

Compareça e divulgue. Exerça sua cidadania e participe desta grande festa.


Movimento Resgate o Cambuí

Tereza e grupo



VIDEOS


Plantio-Mutirão 17/6/12 (1/5) 
http://www.youtube.com/watch?v=5H7MY5Qmrqw

 
Plantando árvores, garantindo a vida.
http://www.youtube.com/watch?v=W44wiXZsIWE
  (Canal Campinas)

LINKS RESGATE CAMBUÍ
 













Plantio da árvore.....

















da grama amendoim.....


















regando....





















manutenção de canteiros antigos
















limpeza em volta dos canteiros antigos e novos......serviço completo.



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Prezados Senhores: Prefeito, Vereadores, Representantes do Ministério Público, Funcionários Públicos, ONGs, Conselhos Municipais, Cidadãos Campineiros e Entidades Preservacionistas e de Luta Pelos Direitos da População,


com muita preocupação, me manifesto contra o Projeto de Lei de no 160-12 que "Cria o Programa de Requalificação Arbóreo e Ambiental do Município, e dá Outras Providências". (link http://sapl.camaracampinas.sp.gov.br/sapl_documentos/materia/261084_texto_integral )

Ela seria uma nova legislação, enquanto persiste a não fiscalização e o descumprimento de duas outras Leis fundamentais em vigência, que já contemplam os itens envolvidos na mesma.

São elas: 

- A Lei de Arborização Municipal de Campinas 11571-03;
- A Lei nº 11418/02 que dispõe sobre o rebaixamento de guias nas vias públicas do município, estabelecendo que o trecho de guias rebaixado não poderá exceder a 50% da extensão da testada, quando esta for superior a 10 (dez) metros. Esta é fundamental à composição de lugares específicos para a ocorrência adequada da arborização em calçadas.

Campinas e seus cidadãos vêm passando por uma terrível e constante perda de sua qualidade de vida. O meio ambiente urbano da cidade, por seguidas gestões municipais tem enfrentado o descaso, o despreparo técnico, a destruição do patrimônio público e a notória e acentuada degradação ambiental. Visualiza-se nesta cidade, a total falta de planejamento, a perda de árvores, o uso inadequado e generalizado de espécies de pequeno porte e palmeiras; desconsidera-se o conhecimento técnico e a contribuição que, a arborização urbana bem planejada, implantada, mantida e conservada em nossa cidade traria.

A poluição visual causada pelos sistemas de energia elétrico expostos e obsoletos, a marcante presença de equipamentos públicos e, propagandas publicitárias excessivas têm sido responsáveis pela mutilação constante das árvores de Campinas. As consequências nos vegetais são a ocorrência de doenças, pragas e a morte precoce dos mesmos. Outros resultados são a composição de árvores de risco, pelo intenso desequilíbrio causado pelas práticas absurdas e constantes pela empresa concessionária de energia, munícipes e órgãos municipais. Seguem alguns exemplos encontrados em Campinas: 

 
                                              
                        Av.Norte-Sul                            

                                         
  

Rua dos alecrins




Rua Jorge Krug


Redes elétricas subterrâneas são alternativas em vigência no mundo civilizado. Seu custo de implantação já era tecnicamente viável em 2003, conforme destacado no estudo abaixo:



Além dos custos reduzidos, os sistemas subterrâneos dispensam as podas mutiladoras dos sistemas expostos obsoletos, garantindo a preservação das árvores e da arborização, além de aumentar a amplitude do campo visual na cidade, permitindo a expressão da beleza da arquitetura urbana e, da própria arborização.

Áreas urbanas possuem problemas específicos como: impermeabilização e verticalização cada vez maior de suas áreas, aquecimento devido aos materiais de construção utilizados e do asfalto, poluição e doenças específicos. Em São Paulo, estudos de 1985 já indicavam a diferença de 10 oC na temperatura entre bairros arborizados e não arborizados da capital; estudo recente, de 2011, indica que essa diferença se acentuou ainda mais, para 14 oC. Enchentes, prejuízos econômicos, doenças respiratórias e cardíacas, compõe uma referência extremamente negativa que pode ser modificada com o uso adequado da arborização. Ilhas de calor, modificação do regime hídrico e dos ventos também podem ser amenizados pelas árvores.

A árvore e sua presença no meio urbano é fundamental para tratar, mitigar e colaborar no enfrentamento dessa problemática. Elas são grandes transpiradoras naturais de água, o que resulta no mesmo efeito de aparelhos de ar condicionado, porém sem gastar energia e umidificando, filtrando e limpando o ar que respiramos. Com suas copas e folhagem, nos protegem oferecendo sombra e, ao mesmo tempo, de inúmeras doenças urbanas, decorrentes da poluição e da exposição excessiva aos raios solares.

Mundialmente, em todas as nações que prezam o bem estar de sua população, tecnologias de compartilhamento de redes de serviços públicos (enterramento da rede de energia aérea, remoção de postes e uso compartilhado das redes com espaços próprios para: água, gás, fibra ótica, telefone, entre outros), têm sido a grande revolução para permitir a manutenção das árvores e de todo o seu potencial de benefícios na área urbana. Como segue nas imagens abaixo: 


Buenos Aires 


Santiago
                                      

Singapura
                                                                                                                                                                    

Estudos científicos realizados em Campinas demonstram a perda acentuada e constante da arborização viária municipal, em uma cidade que foi referência nacional em arborização. Atualmente, ocorre em Campinas uma situação emergencial, pelo longo tempo em que a sua arborização urbana foi relegada-abandonada. Ocorreu a deterioração deste fundamental patrimônio, responsável pelo fornecimento de inúmeros benefícios e serviços ambientais, por total inércia e inoperância do poder público, além de maus tratos generalizados, envolvendo diversos atores.
  
O Bairro Cambuí é, atualmente, o único local de Campinas que recebeu um estudo completo sobre a sua arborização. Na localidade foi destacada toda a problemática e complexidade envolvida com a questão, que merece e deve receber o correto gerenciamento e administração pelo poder público municipal. Este estudo caracterizou o histórico da arborização urbana de Campinas desde sua criação, quando foi uma grande referência para nossa cidade, bem como para todo o país:


Somente nesta localidade de Campinas, encontrou-se uma carência de 6.100 (seis mil e cem árvores de calçada), em 2007!!!! Não há respeito à Lei Municipal de Arborização 11571-03 que estabelece em, pelo menos, 100, o número de árvores para cada Km linear de calçadas.  O mesmo estudo apresenta a tecnologia do compartilhamento de redes de serviços subterrânea, que pode preservar a arborização e deveria ser implementado em Campinas.

A Lei nº 11418/02 que dispõe sobre rebaixamento de guias nas vias públicas do município estabelece, que o trecho de guias rebaixado não poderá exceder a 50% da extensão da testada, quando esta for superior a 10 (dez) metros, tem sido constantemente desrespeitada pelo comércio, prestadores de serviço e população, compondo-se em uma perda de recursos aos cofres públicos de Campinas devido à não fiscalização e falta de aplicação de multas. O rebaixamento completo de muitas guias impede que a arborização seja implantada adequadamente.

Destaco que os problemas elencados pelo nobre vereador Paulo Oya justificando a necessidade de requalificação arbórea e ambiental para as futuras gerações municipais, a princípio, são de fundamental e notória relevância, porém, bastante questionáveis, já que são contempladas pela legislação municipal específica de arborização e de calçadas.

Infelizmente, a proposta não conta com o devido embasamento técnico necessário; mais ainda, é prejudicial à população  de Campinas, conforme o que segue:

- Ao mesmo tempo em que é afirmado em seu texto de que necessitamos de mais plantas para combater a poluição, mais "Árvores adequadas" para cada tipo de praça, rua ou avenida, é afirmado que necessitamos, também, depois que uma árvore seja plantada, de que não se necessite sua extração, por crescer muito e "encostar" em fios de alta tensão, ou destruir o calçamento de prédios e residências.

A arborização urbana é um ramo do conhecimento técnico Agronômico-Florestal, embasado técnica e cientificamente, de maneira a considerar a especificidade urbana, o seu correto planejamento para a inserção, o uso e usufruto adequado dos benefícios proporcionados pela arborização corretamente planejada. Árvores são seres vivos e como tal necessitam de acompanhamento por toda a sua vida.

O assunto, em nossa cidade, vem sendo conduzido administrativamente há muito tempo por leigos, que não tem qualquer preparo ou condições de interpretar, refletir e agir adequadamente sobre o tema. Ocorrem constantes ingerências, como recentemente foi o caso de podas absurdas e generalizadas em árvores fantásticas da cidade, apenas, para permitir o plantio de uma espécie de grama de sol na sombra. Tecnicamente, poderiam ser introduzidas espécies naturalmente próprias a esta situação, dispensando a prática da poda, bem como seus custos à municipalidade.

O destacado plantio de "Árvores adequadas" para cada tipo de praça, rua ou avenida, para não se necessitar realizar sua extração, por crescer muito e "encostar" em fios de alta tensão, ou destruir o calçamento de prédios e residências, tem sido uma maneira  para se continuar com o total despreparo técnico na condução da arborização de nossa cidade. A influência generalizada de cartilhas de empresas de energia doutrinando o uso do pequeno porte em arborização, é outro fator de manipulação embutido para a manutenção do despreparo.

Um técnico devidamente habilitado a lidar com a arborização, notadamente das áreas agronômico-florestais, planeja a mesma visando o porte máximo técnico por local, de acordo com as características e condições específicas de cada um. As árvores são seres vivos, com ciclos de vida como nós. Ao final dos mesmos, ou em casos de doenças e de situações irreversíveis, além de avaliações técnicas que constatem tal necessidade, devem ser removidas visando sua substituição.  Árvore urbana necessita INTRINSECAMENTE de manejo, de BOM MANEJO.

Afloramentos de raiz  ou, como o Vereador chamou "DESTRUIÇÃO DE CALÇAMENTO DE PRÉDIOS OU RESIDÊNCIAS", nada mais são do que o reflexo do desconhecimento quanto ao hábito das raízes e das respostas dos vegetais a canteiros pequenos e insuficientes para a entrada de água, nutrição e respiração das raízes. Há inúmeras espécies que possuem sistema radicular que não provoca este tipo de ocorrência, principalmente, quando em um canteiro generoso e tecnicamente implantado. Um profissional competente é capaz, perfeitamente, de usar da boa técnica para o plantio correto de espécies, além de preparar adequadamente o solo e o local a receber a árvore, por toda a sua vida útil.

Árvores podadas e conduzidas inadequadamente ficam desequilibradas, e são mais facilmente atingidas por  pragas e doenças. O sub-aproveitamento do local de plantio (pela utilização de arbustos e espécies de pequeno porte atrapalha pedestres, a segurança do campo visual e a iluminação pública), conforme destacado no trabalho abaixo:


Portanto, a falta de fiscalização, de planejamento, de acompanhamento e de manejo técnicos, de práticas adequadas por parte das concessionárias de serviços públicos aéreos e subterrâneos, a especulação imobiliária, os prestadores de serviços, o comércio, a própria população, o tráfego intenso e a poluição de veículos, a inoperância, o despreparo e a falta de condições atuais de gestão do patrimônio público tornam crítico o estado atual dessa arborização, ameaçando a sustentablidade de toda Campinas.

A arborização urbana deve ser o foco de políticas públicas que garantam a sua efetiva proteção.

Em Campinas, o conhecimento técnico deve ser novamente valorizado para conseguirmos reverter o quadro ambiental urbano desolador de nosso município. O órgão gestor da arborização municipal, o Departamento de Parques e Jardins, atualmente está vinculado à Secretaria Municipal de Obras, enquanto, claramente, deveria ser um dos braços da Secretaria de Meio Ambiente.

A arborização, em face de sua especificidade e necessidades, deveria compor um braço específico também desta secretaria, para poder caminhar-se melhor e adequadamente.

A composição e recomposição dos quadros funcionais da área de Engenharia Florestal e Agronomia no DPJ e de uma possível e necessária requalificação do setor, compondo  uma área específica de arborização é fundamental para revertermos essa situação em Campinas. O foco de operação do mesmo setor deve ser: condições de trabalho, número e qualidade de funcionários suficiente, além de ferramental e treinamento.

O assunto não pode ser conduzido por leigos, que, embora sua possível boa intenção, foram os responsáveis pela destruição da arborização da cidade de Campinas,  e pela composição dos riscos envolvidos à população, como vemos claramente nos dias de hoje.

Segue um video e imagens do Projeto "Cambuí Verde", um trabalho técnico conduzido pela Sociedade Civil Organizada - Movimento Resgate o Cambuí, no qual a comunidade realiza, sob orientação, o plantio e o cuidado com as árvores plantadas. Este trabalho representa algumas das contribuições que o conhecimento técnico bem aplicado pode trazer, em benefício da cidade e de seus habitantes.



                                     
                                                  Fotos plantio:

                                                               

Como cidadão campineiro, considero um grande erro e absurdo a proposta de requalificação apresentada, quando o necessário é garantir que haja condições para o uso do conhecimento técnico, bem como garantir condições adequadas de trabalho, de mão de obra e de gestão da arborização municipal.

CAMPINAS NÃO PRECISA DE REQUALIFICAÇÃO ARBÓREA, PRECISA DE PROFISSIONAIS COMPETENTES E DE ESTRUTURA SUFICIENTE PARA GARANTIR A MANUTENÇÃO E A CONTINUIDADE DE SUA ARBORIZAÇÃO.

Nobres senhores, a sociedade espera  que sejam capazes de entender nossas necessidades corretamente. Pelos próprios cargos que ocupam, bem como pela representatividade dos mesmos, que realizem ações sérias, comprometidas e que resolvam definitivamente nossos problemas. 

A arborização de Campinas virou um problema pelo total descaso público. Será também por intermedio do poder público, que poderá haver a reverção deste quadro.

Árvores urbanas possuem especificidades e exigências de tratamento próprios. A presença de árvores na cidade envolve a necessidade INTRÍNSECA de manejo.

A proposta de redução de porte e de plantio de árvores que não morram ou que não causem "problemas" é facilmente combatida quando se usa o conhecimento técnico. A consideração das condições locais e de compatibilização dos aspectos socioeconomicoambientais é necessária para se planejar a arborização.

Não queremos nem precisamos de árvores de plástico ou de bonsais em nossas ruas, precisamos de árvores e de pessoal técnico preparado para lidar e bem convivermos com elas! Como argumentado e defendido neste texto, a árvore pode virar um problema, quando se relega esse grande patrimônio, às mãos de leigos.

Quanto à necessidade de envolvimento e de participação, estou à disposição, como sempre.

At.

Engenheiro Florestal - ESALQ-USP,
Mestre em Arborização Urbana - ESALQ-USP,
Especialista em Ecologia e Sustentabilidade - UNESP-UMAPAZ
José Hamilton de Aguirre Junior   














Movimento Resgate o Cambuí-representando a sociedade civil organizada.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

As impurezas que a água esconde

17 / 07 / 2012

O Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) do Ministério do Meio Ambiente (MMA) aprovou moção que propõe ações de ciência e desenvolvimento de tecnologias destinadas à melhoria de técnicas de monitoramento e tratamento de cursos d’água para abastecimento humano e seus afluentes. O objetivo desta iniciativa é incentivar a pesquisa e a adoção de tecnologias capazes de retirar da água distribuída às residências as nanopartículas – porções de material de apenas alguns átomos de tamanho, com propriedades muito diferentes do mesmo material em grandes quantidades – poluentes, orgânicas e inorgânicas, além de eliminar os micro-organismos patogênicos.

“Essas nanopartículas poluentes não são eliminadas com o tratamento atual que se dá à água, por isso é necessário investir em pesquisa e tecnologia, e no uso de membranas importadas para melhorar o processo”, explica o coordenador-geral de Mudanças Globais de Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Sanderson Leitão, conselheiro do CNRH/MMA. Segundo ele, os métodos atuais não são efetivos. “A tendência é aumentar a contaminação por micropoluentes que causam, por exemplo, câncer, infertilidade, outros distúrbios metabólicos e endócrinos, para citar alguns problemas, e isso é muito preocupante”, insiste Leitão, autor dessa moção junto ao Conselho.

Drogas e aditivos - No texto da moção aprovada pelos integrantes do CNRH consta uma lista de micropoluentes emergentes, provenientes de medicamentos, drogas ilícitas, produtos de beleza, higiene pessoal e limpeza, de aditivos industriais, aditivos de gasolina, agrotóxicos e produtos resultantes da transformação desses micropoluentes. Segundo Sanderson Leitão, essas são algumas das substâncias que escapam à filtragem e tratamento químico dado à água destinada ao consumo humano, ingeridas diariamente pelos brasileiros.

Entre as últimas deliberações do Conselho Nacional de Recursos Hídricos estão os critérios gerais de classificação de barragens por categoria de risco, dano potencial associado, e pelo seu volume. Os conselheiros também aprovaram diretrizes destinadas a implementar a Política Nacional de Segurança de Barragens e a atuação do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens; além dos critérios e linhas normativas que permitam colocar em prática os instrumentos de outorga e de enquadramento em rios efêmeros (secam numa determinada época do ano) e intermitentes.

“A outorga confere ao interessado o direito de captar água ou de lançar resíduos em um curso de água e o enquadramento define a quantidade e a qualidade da água, além de estabelecer metas futuras compatíveis com o uso que se quer dar a um rio intermitente e a um efêmero”, esclarece Ana Cristina Mascarenhas, gerente de apoio do CNRH/MMA.

Atribuições - Ela destaca, ainda, as principais atribuições do conselho, conforme o estabelecido pela Lei de Segurança das Barragens (12.334/2010), que estabeleceu a Política Nacional de Segurança de Barragens: definir como será a implementação da Política Nacional de Segurança de Barragens e como será a atuação do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens.

Ana Cristina explica que cabe ao Conselho analisar o relatório de segurança de barragens, inclusive propondo melhorias nas obras existentes. “Depois de avaliar e discutir o relatório, o CNRH o encaminhará ao Congresso Nacional para deliberações”, acrescentou. (Fonte: Luciene de Assis/ MMA)


Esta matéria é do site ambientebrasil

Transformação verde de Nova York é exemplo a ser seguido

17 / 07 / 2012

Sempre que você duvidar que o futuro possa ser melhor que o passado ou que o governo possa exercer um papel crucial nesse processo, pense e alegre-se com o extraordinário processo de verdeio de Nova York.

Esta cidade não se parece em nada, nada mesmo, com o que era uma década e meia atrás. É um lugar de calçadões agora belíssimos de frente para o mar, de árvores, gramíneas altas e flores que ocupam terrenos e penínsulas de concreto – até mesmo trechos de trilhas férreas antes em desuso ou decadentes. Trata-se de uma resposta fértil ao pessimismo de nossa era, de uma prova verdejante de que o crescimento continua a ser possível, pelo menos desde que estejam presentes a vontade necessária e as estratégias corretas.

A transformação de Nova York se deu incrementalmente – um ano o High Line, outro ano o Brooklyn Bridge Park -, tanto que muitas vezes não chega a ser plenamente apreciada. Mas representa um avanço notável, que justifica esperança.

Além disso, é emblemática de um padrão de dedicação intensificada aos parques urbanos, algo que está presente de costa a costa dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo em que uma parte tão grande da vida americana neste momento é marcada pelo espectro do declínio, muitas cidades estão florescendo, e Nova York vem servindo de inspiração crucial.

“Nova York representa um grande exemplo, porque é a maior área urbana do país”, disse Ken Salazar, o secretário do Interior americano, falando ao telefone na sexta-feira e sugerindo que, se Nova York consegue criar espaços verdes em meio às suas expansões cinzentas, qualquer cidade pode fazer o mesmo. Salazar pretende visitar Nova York na terça-feira para discursar numa conferência internacional, que já está ocorrendo, intitulada “Maiores e Mais Verdes: Reimaginando Parques para Cidades do Século 21″.

O fato de a conferência ser realizada em Nova York é uma homenagem proposital aos avanços feitos por esta cidade, boa parte deles sob a administração Bloomberg, que levou adiante os planos que herdou, ampliando alguns deles, e também criou vários planos próprios.

Embora o prefeito Michael Bloomberg tenha enfrentado fracassos e falhas diversas em suas tentativas de aprimorar o ensino público e aliviar os congestionamentos no Midtown de Manhattan, por exemplo, em se tratando do verde ele vem tendo grandes êxitos. Um dos maiores legados de sua longa prefeitura será uma cidade que, em determinados locais encantados, em determinados dias encantados, pode passar uma impressão tão descontraída, despreocupada e abençoada pela natureza quando um dos enclaves ecologicamente vaidosos do noroeste do Pacífico. À agitação do trânsito, Bloomberg acrescentou mais ciclovias, mais árvores e mirantes com vistas belíssimas.

“Os parques foram prioridades para este prefeito e para a vice-prefeita, Patti Harris, e acho que é a primeira vez que isso acontece na história da cidade”, comentou Adrian Benepe, que vai deixar em breve o cargo de comissário de parques da prefeitura Bloomberg, após dez anos.

“Grandes coisas aconteceram na prefeitura de La Guardia, em grande medida devido à Administração do Progresso de Obras e da habilidade de Robert Moses em fazer uso desses recursos. Mas acho que o prefeito atual tem sido singular por não apenas apreciar parques, como compreender o valor deles de tantas maneiras diferentes”, disse Benepe, acrescentando que Bloomberg adere “à ideia de que a cidade pode e deve ser bela e bem projetada”.

Eu desprezaria esses comentários como puro puxa-saquismo, não fosse por vários fatores. Um: Benepe não hesita em dizer que parte do trabalho pelo qual Bloomberg é elogiado foi iniciado por prefeitos anteriores e defendido especialmente por George Pataki, fervoroso partidário dos parques, na época em que foi governador do Estado.

Dois: os elogios que Benepe faz a Bloomberg são repetidos por muitas pessoas que não estão na prefeitura.
Três: seus elogios condizem com minhas próprias observações gratas. Vivo nesta cidade, de modo intermitente, há 25 anos, e nunca antes senti tanta vontade de sair para o ar livre, nem me senti tão recompensado quando o faço quanto me sinto hoje.

Hoje uma parte espantosa da área de Manhattan de frente para os rios Hudson e East é pontilhada de píeres verdejantes, com praias, ciclovias e trilhas para caminhadas. E, para quem ainda não o viu, Brooklyn Bridge Park é uma revelação, com vista para o centro de Manhattan, o porto de Nova York e a Estátua da Liberdade.

“É notável que a cidade tenha feito esse investimento”, comentou o paisagista Michael Van Valkenburgh, cuja firma foi responsável por criar o parque, que custou mais de US$350 milhões. A prefeitura contribuiu com quase dois terços desse valor. “Existe no momento um interesse enorme e muita atividade na criação e recriação de parques urbanos. Acho que é porque reinvestimos na ideia de viver nas cidades.”

Igualmente animadora e instrutiva é a maneira como Nova York buscou os recursos necessários para os parques novos e os já existentes. A High Line, construída principalmente com recursos públicos, é mantida principalmente com recursos privados. O plano para o Brooklyn Bridge Park é que sua operação e manutenção seja paga por avaliações dos imóveis desenvolvidos em torno do parque.

Em troca do alvará de construção, os construtores de novos imóveis residenciais nas redondezas tiveram que criar para a cidade o Riverside Park South, uma trança bela de praças de frente para a água, trilhas e píeres partindo das ruas West 60s em Manhattan. Esse arranjo foi muito anterior à administração Bloomberg, mas, sob a administração dele, um arranjo semelhante vai resultar num parque de frente para a água em Williamsburg, um bairro do Brooklyn.

O histórico de Bloomberg no quesito dos parques não é imaculado. Holly M. Leicht, diretora executiva do grupo Nova-Iorquinos em Favor de Parques, disse que a criação de novos parques nem sempre foi acompanhada pela manutenção adequada dos parques já existentes. “Há uma disparidade de condições”, disse ela.

Mas, para seu crédito, a prefeitura vem gastando fartamente com parques em todos os distritos de Nova York, não apenas em Manhattan e Brooklyn. Um dos projetos mais ambiciosos é a conversão do aterro sanitário Fresh Kills, em Staten Island, no parque Freshkills, que será quase três vezes maior que o Central Park.
A história de Nova York se repete em outras partes do país.

Um complexo revitalizado de parques, o Myriad Botanical Gardens, surgiu recentemente no centro de Oklahoma City. No centro de Houston há o Discovery Green. Dallas está construindo um parque sobre uma via elevada no centro, e Los Angeles estuda maneiras de verdejar um velho leito de rio concretado.

“Vivemos na era da reurbanização”, comentou Catherine Nagel, diretora executiva da Aliança de Parques da Cidade, que está promovendo a conferência em Nova York. E o aumento da densidade demográfica significa que “precisamos de espaço verde”.

Surpreendentemente, estamos recebendo esses espaços: porque os cidadãos o reivindicaram; porque os governos priorizaram esse assunto; porque foram cultivadas parcerias público-privadas. Nova York é a flor bela a coroar esse processo. (Fonte: Folha.com)

Esta matéria é do site ambientebrasil

Cone translúcido usa sol para dessalinizar água


Eduardo Pegurier
02.05.2011






A água cobre 3/4 da superfície do planeta, mas 97% do total disponível é água salgada e outros 2% estão presos em geleiras. Acessar o 1% disponível para consumo humano não é fácil. A pobreza nega a infraestrutura para sanear e abastecer uma população mundial que cresce. Do outro lado, a poluição e o mau uso reduzem a quantidade disponível para consumo.

Às populações sem acesso a água potável, uma alternativa é dessalinizar a água salobra ou impura de oceanos, rios e lagos. Mas a operação é intensiva em uso de energia e, portanto, cara. Assim, um equipamento simples e robusto como o Watercone (ou cone de água) é bem-vindo. Aliás, formas improvisadas do sistema são usadas por exércitos e beduínos do deserto.














O Watercone é composto de uma base escura, a qual é sobreposta por um cone de plástico translúcido. Para funcionar, basta colocar a água salobra na base, fechar o engenho e deixar o sol fazer o trabalho. A água da base evapora e vai parar nas paredes do cone. De lá, escorre e se acumular em um receptáculo instalado na borda (veja ilustração). Em lugares ensolarados, o resultado é de um 1,5 litros de água potável por dia, produzida por energia solar totalmente “de grátis”.

O equipamento custa 49 euros (cerca de 115 reais) a unidade, mas há bons descontos para compras no atacado. Ele é leve e fácil de empilhar. E, como mostra o vídeo abaixo, robusto. Por mais que seja amassado, não quebra.





Para acessar o vídeo clique aqui