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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pesquisador da USP diz que uso abusivo de agrotóxicos no país está relacionado ao modelo agrícola

O uso “abusivo, exorbitante e descontrolado” de agrotóxicos nas lavouras brasileiras mostra a subordinação do país na nova divisão internacional do trabalho, ficando responsável pela exportação de produtos primários com pouco valor agregado. Segundo o pesquisador e especialista em economia agrária José Juliano de Carvalho, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP), esse cenário está diretamente relacionado ao modelo agrícola brasileiro, que se sustenta no latifúndio, na monocultura, na produção altamente mecanizada e em larga escala.
"Não é uma questão de tecnologia, mas do modelo de agronegócio colocado como o prioritário no Brasil. Para sustentar essa lógica, empresas e produtores usam sem controle os agrotóxicos e isso afeta de forma muito negativa a economia brasileira”, acrescentou Carvalho, que também é diretor da Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra).

O professor defende uma regulação mais ampla do agronegócio no país, a implementação de projetos de reforma agrária e de zoneamento agroecológico. Ele acredita que o fortalecimento da agricultura familiar pode ser uma alternativa ao modelo atual.
“O problema não é só a química, mas a maneira como ela é usada. O que vemos no Brasil é o domínio do agronegócio pelas grandes multinacionais. É preciso haver regulação do agronegócio e fortalecimento da agricultura familiar que acaba inviabilizada não apenas pelo agrotóxico, mas pelo conjunto do modelo do agronegócio”, disse.
Estudo divulgado há cerca de um mês pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aponta que o comércio de agrotóxicos no Brasil cresceu 190% entre 2000 e 2010, mais que o dobro da média mundial, de 93%. O mercado nacional de agrotóxicos, que em 2010 movimentou US$ 7,3 bilhões, é altamente concentrado, assim como no restante do mundo. As dez maiores empresas do setor são responsáveis por 65% da produção nacional e por 75% das vendas. O levantamento também mostrou que um único produto, o glifosato, é responsável por 29% do mercado brasileiro de agrotóxicos.
De acordo com o diretor-geral de agrotóxicos do Ministério da Agricultura, Luiz Rangel, o Brasil lidera o mercado de comercialização de agrotóxicos em função da dimensão de sua produção agrícola. Ele garante, no entanto, que os alimentos comercializados no país, mesmo com o uso de agrotóxicos em sua produção, são seguros, já que para serem autorizados os defensivos passam por “severo controle”.
“Todos os alimentos consumidos aqui ou exportados têm garantias de segurança, porque todos os níveis de resíduos foram avaliados e considerados seguros. Além disso, todos os produtos liberados no Brasil passam por severo processo de reavaliação, que pode ocorrer até mais de uma vez por ano. Se há indício de problema à luz do conhecimento científico, temos a obrigação de revisar os dados para ver se a molécula deve ser substituída”, explicou.
Luiz Rangel também explicou que o Ministério da Agricultura coordena as ações de fiscalização executadas pelos estados para verificar se o comércio e o uso desses produtos estão sendo realizados de forma adequada.
“Por meio de um trabalho de inteligência, identificamos que os maiores consumidores de agrotóxicos no Brasil, cerca de 80%, são as grandes áreas de elevada tecnologia, ligadas à soja, à cana-de-açúcar, ao trigo, ao algodão etc. Esse grande mercado nos preocupa menos, porque em geral conta com engenheiros agrônomos e empresas devidamente instaladas. O que nos traz mais preocupação são as agriculturas menores, de cinturões verdes, que representam 15% do mercado, mas 90% do problema em função principalmente dos desvios de uso”, disse.
Segundo definição do ministério, os agrotóxicos são produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, armazenamento e beneficiamento, pastagens, proteção de florestas nativas ou implantadas e de outros ecossistemas, bem como de ambientes urbanos, hídricos e industriais.
Para ser comercializado no país, o agrotóxico precisa ser registrado pelo Ministério da Agricultura, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Agência Nacional de Anvisa. (Fonte: Thais Leitão/ Agência Brasil)

Matéria retirada do site ambiente brasil

Retrato do descaso ambiental

O Estado de S.Paulo
24 de abril de 2012


Irresponsabilidade, comodismo, desídia, desrespeito aos cidadãos, desprezo pelo meio ambiente. Qualquer dessas expressões retratará com perfeição o comportamento das autoridades municipais do Rio de Janeiro que, nos últimos 34 anos, criaram, utilizaram e trataram de fazer crescer rápida e ininterruptamente o aterro sanitário de Jardim Gramacho, no município de Duque de Caxias, até o transformarem no maior lixão do continente e uma espécie de bomba-relógio de poluição que ameaça a Baía de Guanabara. O caso do lixão de Jardim Gramacho é, certamente, o mais impressionante de todos, mas é mais um entre os muitos erros acumulados ao longo dos anos pelo poder público no tratamento dos resíduos sólidos gerados nas cidades.
Ocupando uma área de 1,3 milhão de metros quadrados, o lixão de Gramacho acumula 60 milhões de toneladas de lixo, cujo volume alcança até 60 metros de altura, colocados sobre um solo de pouca firmeza.
A decomposição do material orgânico contido nessa montanha de lixo produz o chorume, líquido poluente de cor escura e odor nauseante, que vaza para as águas da Baía de Guanabara. A decomposição desse material produz também o gás metano, um dos responsáveis pelo efeito estufa e que, de tempos em tempos, provoca explosões no lixão. Localizado a 4 quilômetros do Aeroporto Tom Jobim, o lixão tornou-se uma ameaça à segurança dos voos, por causa do grande número de urubus que atrai e que disputam com as pessoas os resíduos ali depositados.
"Cometeu-se um crime ambiental monumental no Rio de Janeiro", reconheceu o secretário municipal de Conservação, Carlos Osório, em entrevista à repórter Clarissa Thomé, do Estado (22/4). Trata-se, de fato, de um crime ambiental, praticado continuamente pelas autoridades municipais durante décadas. Finalmente, essas autoridades se dizem dispostas a corrigir os males que causaram.
Embora sua gestão não possa ser responsabilizada pelo descaso com o lixão de Jardim Gramacho, o atual prefeito, Eduardo Paes, já poderia ter resolvido o problema há mais tempo, pois está no cargo desde o início de 2009. É provável que, mais do que consciência ambiental ou tardia demonstração de senso de responsabilidade, o que move as autoridades cariocas seja um raciocínio eminentemente político.
A Prefeitura do Rio quer anunciar o início da desativação do aterro de Jardim Gramacho em maio, nas vésperas da conferência mundial Rio + 20, durante a qual poderiam apresentar o caso como um modelo de substituição de um lixão a céu aberto por um sistema moderno de aterro sanitário. Não parece tarefa fácil, porém, convencer especialistas internacionais de que, depois de tanto tempo sem demonstrar nenhuma preocupação especial com o meio ambiente, de repente a Prefeitura do Rio se tornou uma campeã da proteção ambiental e da sustentabilidade - tema central da Rio + 20.
É urgente, e não de hoje, desativar o Jardim Gramacho e outros lixões criados no País. A desativação, exigida pela necessidade de preservação ambiental e proteção da saúde da população, tornou-se exigência legal, com a instituição, em 2010, da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Essa política determina que, até 2014, todos esses lixões devem ser substituídos por aterros com preparo no solo, para evitar que o lençol freático e outros recursos hídricos sejam contaminados pelo chorume, e com equipamentos para a queima do metano para a geração de energia.
No fim da década de 1990, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), responsável pela operação do Jardim Gramacho, instalou sistemas de coleta e tratamento do chorume. Desde o ano passado, vem sendo reduzido o volume depositado no lixão. O projeto de recuperação da área prevê a abertura de mais poços de captação do metano. Purificado, o gás será vendido para a Refinaria Duque de Caxias, que o empregará na geração de energia para consumo próprio. O lixo coletado na cidade será levado para o Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica, a 75 quilômetros do Rio, onde será coberto após o despejo.
Ainda que tardiamente, anuncia-se a desativação da ameaça à Baía de Guanabara.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Mais problemas no Congeapa de Campinas, o vídeo parece que apenas abriu uma brecha para as denúncias, elas estão circulando nas redes. A sociedade não aceita irregularidades e cobra legalidade e transparência

Mais problemas no Congeapa de Campinas, o vídeo parece que apenas abriu uma brecha para as denúncias, elas estão circulando nas redes. A sociedade não aceita irregularidades e cobra legalidade e transparência.
Assista os vídeos:
-"Pau" no Congeapa:
http://www.youtube.com/watch?v=Lpelqh9OM1I&feature=related
-Reunião de posse do conselho Congeapa (17/4/12): http://www.youtube.com/watch?v=4u_7YZLX0tI&feature=endscreen&NR=1
Segue abaixo matéria do Jornal Todo Dia de 20/4/12 e vários anexos:
-Anexo 1c- Matéria Correio Popular de 21/4/12
Entidades de bairros e ambientalistas divulgaram nota ontem afirmando que o Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental de Sousas e Joaquim Egídio (Congeapa) tem sido nos últimos anos apenas um avalista das degradações e dos inúmeros empreendimentos que tem surgido na APA. Para as entidades, a ausência de um planejamento ambiental eficiente e protetor, a ineficácia da fiscalização, a ausência do controle social-ambiental desse conselho, “tem levado à licenciamentos ambientais gravíssimos para a manutenção ecológica da APA de Campinas”.
Responsável pela participação autônoma e organizada da comunidade nas definições de políticas para o desenvolvimento sustentado na APA e também por acompanhar a sua aplicação, o Congeapa tem caráter deliberativo e, por isso mesmo, é alvo de disputadas políticas.
O manifesto das entidades (Anexo 2c) está assinado pela Sociedade de Proteção da Diversidade das Espécies (Proesp), Instituto Jequitibás, Associação de Moradores do Guará, Associação de Moradores Vale das Garças, SOS Mata Santa Genebra — Mobilização da Sociedade e SOS Campinas BarãoGeraldo Presente, Associação dos Amigos e Moradores de Joaquim Egídio (Amaje) e Movimento Resgate o Cambuí.
Conforme a nota, “ao invés do Congeapa se fortalecer enquanto espaço público e força aglutinadora, ele se enfraqueceu deixando de atuar como força da sociedade, sendo fiscalizadora e regulamentadora da iniciativa privada, confundindo-se com esta e vivendo uma indistinção entre o público e o privado”
-Anexo 3c-Informação da secretaria de gestão e controle sobre as ilegalidades na eleição do Congeapa.
-Anexo 4c- Facebook-San Conrado divulga manifesto do Presidente da AMAJE.
-Anexo 5c- Algumas datas e nomes presidentes Congeapa
-Anexo 6c -Editorial Correio Popular de 22/4/12 .
Lamentável que a sociedade, que deveria se mostrar organizada e preparada para reivindicar e defender seus direitos, esteja representada de forma tão grotesca e abominável.
É preciso extirpar esse tipo de comportamento se a entidade pretende se legitimar perante o poder público e os cidadãos que diz representar. Dissensões nesse nível são difíceis de superar e cabe ao grupo organizado preparar uma nova forma de
interação com o poder público, como indivíduos com plenos direitos políticos.
Observação nossa- Lamentável, mas talvez o começo de uma grande e necessária mudança.
-Anexo 7c-Reunião realizada com apenas TRÊS secretários.
-Anexo 8c- emails que circulam na Net.
-Anexo 9c-denúncia de nomeação
Nº CAO: 80612007 Nº Documento: 305/07
Município: CAMPINAS
Assunto/Ementa: DENÚNCIA DE NOMEAÇÃO DE SERVIDOR COMISSIONADO COMO CONSELHEIRO DO CONGEAPA.
PRODESP - REPRESENTANTE
FRANCISCO DE LAGOS VIANA CHAGAS - REPRESENTADO
-Anexo 10c- Atas e deliberações sem registro de número de reunião.
-Anexo 11c-Editorial Correio Popular 22/4/12 e manifesto AMAJE
"É lamentável a falta de capacidade em analisar um fato ocorrido e de distorcer a verdade por parte do editor deste jornal."

-Anexo 12c-Manifesto Congeapa -Empreendimento Loteamento Residencial GHEPHEN (seria bom divulgarem a reunião de 4/4/10 , data de analise desse empreendimento)
-Anexo 13c-Na reunião de 29/7/07 , tendo Giselda como presidente do Congeapa, é convidado o Sr Fuad J Cury da empresa COMURB , para apresentar o Loteamento Residencial Três Pontes do Atibaia.
Em 2008 Giselda participa da equipe de estudo da COMURB nesse empreendimento.
-Anexo 14c-Alair presidente Congeapa recebe processo relativo ao Loteamento Residencial Três Pontes do Atibaia , mas analisa Loteamento Reserva Araucárias.
-Site Congeapa não tem as informações necessárias, como as atas, por exemplo http://www.congeapacampinas.com.br/
Movimento Resgate o Cambuí
membro do conselho Congeapa

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http://portal.tododia.uol.com.br/?TodoDia=cidades&Materia=670980&dia=20&mes=04&ano=2012 20/4/12

CONGEAPA

Briga escancara guerra imobiliária em Campinas

Aval da entidade é essencial para construções; indicações são disputadas

Bruno Dias | TodoDia Imagem

Alair Godoy, secretário de Planejamento de Campinas: situação problemática

MARCELO VILLA 

CAMPINAS 

A troca de socos entre dois participantes da reunião do Congeapa (Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental de Campinas), na noite de terça-feira, revelou mais que ânimos exaltados. Os conselheiros do órgão estão em pé de guerra para conquistar os cargos da diretoria que estão vagos desde dezembro. O racha paralisa a fiscalização sobre empreendimentos imobiliários e projetos desenvolvidos na APA, alvo das críticas de ambientalistas. 

Os projetos de construção e ocupação urbana da região só podem ser analisados pela prefeitura depois de terem sido aprovados pelo Congeapa. Só em Sousas, existem 15 condomínios residenciais em fase de aprovação. 

A eleição da nova diretoria, que poderia solucionar o impasse e estava prevista para a próxima terça-feira, foi adiada ontem pela Secretaria de Planejamento. “Em função de todo esse forrobodó que ocorreu, vamos analisar melhor a situação antes de realizar a eleição”, disse o secretário, Alair Godoy. Ocorre que Godoy também é candidato à diretoria, tenta reeleger-se vice-presidente e sua atuação desagrada grupos de ambientalistas. 

O conselho gestor está inoperante desde o final do ano passado, quando venceu o mandato da última diretoria, eleita para o biênio 2010-2011. O término da gestão coincidiu com a crise política e a troca de prefeitos no Palácio dos Jequitibás, o que acabou esvaziando as tentativas de eleger novos conselheiros. 

Na última terça-feira, com mais de quatro meses de atraso, o Congeapa finalmente escolheu os 27 conselheiros, mas a eleição da diretoria, que estava prevista para a mesma noite, foi adiada. Quando essa decisão já havia sido tomada, ocorreu a briga entre dois participantes que foi gravada e postada no site YouTube. 

Ontem, depois do incidente repercurtir na imprensa, o vídeo alcançou mais de 2 mil acessos e a eleição foi adiada mais uma vez. 

APELO 

No Facebook, a Proesp (Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies) divulgou um manifesto no qual critica o atual modelo de direção do Congeapa e acusa o secretário de Planejamento de defender interesses imobiliários. “Não é mais possível que Campinas aceite tais ações e compadrios entre o público e o privado”, diz o documento. Outras cinco ONGs ambientalistas assinam o manifesto que conclama Godoy a desistir da candidatura de vice-presidente do Congeapa. 

O secretário rebate as acusações e diz que sua atuação no Congeapa ao longo de 11 anos, seja como conselheiro ou vice-presidente, ajudou a consolidar a credibilidade do órgão. “Hoje a Cetesb não emite licença na região da APA sem parecer do Congeapa. Esses grupos que fazem críticas nem participam do conselho, só têm a intenção de tumultuar”, disse.










Para acessar os anexos  clique nos links: https://docs.google.com/document/d/1JhYaw6mtYDj4MW_-tS22OaPflGhTWJT4pGMseU5Fx9g/edit#


https://docs.google.com/file/d/0Bw7HGWrSNOl5dlZQclFVYTlrQUE/edit

https://docs.google.com/file/d/0Bw7HGWrSNOl5NVhfc3lnd0lLTTA/edit



terça-feira, 17 de abril de 2012

Glifosato: ‘todo veneno deveria ser proibido’. Entrevista especial com Rubens Nodari

Por Redação IHU

Um dos herbicidas que mais tem causado danos ao meio ambiente e também para o ser humano é o glifosato. Ele é uma molécula química sintetizada, desenvolvido para matar qualquer tipo de planta, principalmente perenes. É o ingrediente principal do Roundup, herbicida da Monsanto. Assim, muitas plantas culturais geneticamente modificadas são simplesmente alterações genéticas para resistir ao glifosato. “Em relação à saúde humana, ele mimetiza certos hormônios. Por exemplo, ele pode entrar no cordão umbilical durante a gestação e afetar o desenvolvimento do bebê. Além disso, ele é considerado um desruptor endócrino, ou seja, ele vai acionar genes errados, no momento errado, no órgão errado. Então, ele altera a situação de controle dos genes”, relatou o agrônomo Rubens Nodari durante a entrevista que concedeu à IHU On-Line, por telefone.


Nodari explicou o que é o glifosato e como ele age para que possa matar, de forma não seletiva, as plantas, o uso e o efeito desse herbicida, e, ainda, contou como esse veneno age quando os humanos e outros seres vivos entram em contato com ele. “Alguns organismos não são afetados pelo glifosato. Se se aplica muito glifosato, por exemplo, na água, alguns organismos vão ser beneficiados, e outros não, pois ele não se degrada tão rapidamente. Assim, se altera por completo a diversidade biológica que existe nesse ambiente”, afirmou.

Rubens Onofre Nodari é graduado em agronomia pela Universidade de Passo Fundo e mestre em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Realizou o doutorado na University Of California At Davis. Atualmente, é professor na Universidade Federal de Santa Catarina.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que é o glifosato?

Rubens Nodari – O glifosato é uma molécula química que foi sintetizada e que tem a capacidade de produzir um caminho alternativo para as plantas que recebem esse produto. E esse caminho alternativo acaba sufocando a planta quando ocorre, portanto, a interrupção da produção de três aminoácidos. Com isso, as proteínas que são formadas são defeituosas, e as plantas acabam morrendo porque não conseguem sintetizar as proteínas adequadas.

IHU On-Line – Qual o uso que é dado a este químico?

Rubens Nodari – O destino do glifosato é para matar plantas que não são desejáveis num certo espaço.

IHU On-Line – Qual é a composição do Roundup e por que ele é considerado um dos agrotóxicos mais prejudiciais?

Rubens Nodari – O glifosato é uma molécula que causa diferentes tipos de problemas para a saúde humana e também para o meio ambiente. Em relação à saúde humana, ele mimetiza certos hormônios. Por exemplo, ele pode entrar no cordão umbilical durante a gestação e afetar o desenvolvimento do bebê. Além disso, ele é considerado um desruptor endócrino, ou seja, ele vai acionar genes errados, no momento errado, no órgão errado. Então, ele altera a situação de controle dos genes. O glifosato também causa, por exemplo, diminuição da produção de espermas, conforme vimos em experimentos feitos em ratos, ou produz espermas anormais. No caso do sistema endócrino, ele pode, por exemplo, inibir algumas enzimas. Ele vai alterar os hormônios que entram na regulação da expressão gênica.

Geralmente, ele atua na regulação de genes e na expressão de certas substâncias. Existem relatos bastante significativos de ocorrências que associam o câncer a pessoas que aplicam o glifosato. Um agricultor, por exemplo, não aparenta de imediato que vai adoecer, ter um câncer, pois o glifosato age dessa forma com exposições repetidas.

A maioria dos agrotóxicos vai envenenando aos poucos as pessoas e o meio ambiente. Às vezes, não são coisas perceptíveis. Obviamente, quando alguém é submetido a uma grande exposição ao glifosato, sente em seguida irritação nos olhos, na pele, algum sintoma no estômago. Quando as doses são pequenas, é impossível perceber que se está sendo intoxicado aos poucos.

No meio ambiente, ele é considerado mortal a alguns anfíbios e répteis. Ele também favorece algumas bactérias de solo e prejudica a outras. Ele altera a dinâmica da vida, da biota do solo.

IHU On-Line – É bastante difundido, especialmente pela indústria, que o glifosato é menos prejudicial que outros herbicidas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) o classifica como Classe IV (faixa verde). Como o senhor vê essa questão?

Rubens Nodari – Na verdade, a classificação da Anvisa é muito antiga, e, à luz dos novos resultados, o entendimento que existe é diferente. Hoje, se fosse feita a reavaliação dos resultados do glifosato com os dados que foram obtidos a partir de 2005, talvez a Anvisa mudasse de classificação toxicológica.

IHU On-Line – Como o senhor analisa a pesquisa feita na Argentina que envolve o glifosato?

Rubens Nodari – A Argentina tem feito alguns estudos, inclusive associando o glifosato a consequências nos anfíbios, sobre o uso desse agrotóxico. Há um estudo no qual se percebeu que o glifosato inibe o desenvolvimento de embriões. O glifosato e outros produtos acabam afetando alguns sistemas do corpo humano, principalmente o cérebro, que deixam as pessoas com maior ansiedade. E é isso que faz com que as pessoas tomem decisões consideradas insensatas. Assim, o que se especula, por enquanto, é que as pessoas têm sua capacidade física limitada.

IHU On-Line – Quando o glifosato contamina o solo ou um rio, o que acontece?

Rubens Nodari – Alguns organismos não são afetados pelo glifosato. Se se aplica muito glifosato, por exemplo, na água, alguns organismos vão ser beneficiados, e outros não, pois ele não se degrada tão rapidamente. Assim, se altera por completo a diversidade biológica que existe nesse ambiente. Em relação à água, há menos estudos, mas, de qualquer maneira, já existem relatos de mortalidade de certos organismos que ali vivem. Quando a fonte de glifosato é aplicada repetidamente, o impacto é muito maior nessas comunidades aquáticas. Já existem muitos dados de mortalidade de certas espécies de anfíbios e répteis em função da aplicação do glifosato.

IHU On-Line – Acredita que deve se proibir o glifosato?

Rubens Nodari – Na verdade, todo veneno deveria ser proibido. Compostos que são desenvolvidos para matar não fazem parte da ética da vida. Quem defende a vida não pode ser favorável ao uso de sustâncias que a comprometem. Então, a humanidade só deveria usar em casos extremos esse tipo de produto, e não de forma corriqueira como hoje é usado. Existem outras formas de fazer agricultura em que não precisamos usar venenos. Temos sistemas agroecológicos que são perfeitamente passíveis de serem utilizados para produzir alimentos, fibras, óleos etc., sem necessidade de usar agrotóxico. Então, um produto como esse deveria ser, naturalmente, proibido em função dos danos e dos impactos que ele causa tanto na saúde humana quanto ao meio ambiente.

A impressão que tenho é que nós deveríamos recomendar aos agrônomos que evitem fazer o receituário desses produtos. E aos agricultores que tomem cuidado e não usem produtos como esse em larga escala porque os primeiros prejudicados serão os próprios agricultores.
(Envolverde/IHU-OnLine)

Materia reitirada do site:
http://www.nossofuturoroubado.com.br/arquivos/maio_10/glifosato.html

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Monsanto acusada de envenenar trabalhadores e causar defeitos congênitos devastadores

Esta é a mesma Monsanto da qual é dona do mercado brasileiro de sementes... Ou seja, de toda a nossa alimentação... Veja a notícia:


Em uma notícia desencadeada pela News Wire , a Monsanto está sendo levada a tribunal por dezenas de argentinos agricultores de tabaco que dizem que a gigante de biotecnologiaintencionalmente envenenou suas plantações com os herbicidas e pesticidas e, posteriormente, causou defeitos de nascimento "devastadores" em seus filhos.

Os agricultores estão processando não só a Monsanto, mas muitas gigantes do tabaco, Os defeitos de nascença que os agricultores dizem que ocorreram como resultado são muitos, e incluem paralisia cerebral, síndrome de down, retardo psicomotor, falta de dedos, e cegueira.

Os agricultores vêm de pequenas fazendas na Província de Misiones e vendem seus tabacos para muitos distribuidores dos Estados Unidos.

Os agricultores dizem que grandes empresas de tabaco como a empresa Philip Morris pediu-lhes para usar herbicidas e pesticidas da Monsanto, assegurando-lhes que os produtos eram seguros.

Apesar das empresas afirmarem que os produtos químicos tóxicos estavam a salvo, os agricultores em alegação, dizem que as companhias de tabaco "injustamente causou a demanda de doenças dos pais e de crianças a serem expostos a esses produtos químicos, ocorrendo defeitos congênitos devastadoras. "

A maioria dos agricultores, usa um herbicida da Monsanto chamadoRoundup, com o ingrediente ativo glifosato, que tem mostrado matar células de rim humanas. Além disso, os agricultores reclamam da falta de equipamentos de proteção.

Em outras palavras, esses agricultores - muitos em péssimas condições econômicas - estavam sendo diretamente expostos ao Roundup em grandes concentrações sem qualquer equipamento de proteção (ou até mesmo experiência ou habilidade em lidar com a substância).


O mais chocante,é que os agricultores foram obrigados a descartar restos deherbicidas e pesticidas diretamente no abastecimento de água., isso vem como uma séria ameaça ao abastecimento de água pura.

Os agricultores querem uma explicação sobre o por que as empresas de tabaco permitem herbicidas e pesticidas da Monsanto serem descarregado sobre suas pequenas plantações em quantidades tão grandes e comprados em quantidades excessivas.

Em sua alegação, o Estado diz que as empresas de tabaco foram "motivados por um desejo de ganho econômico injustificado e lucro", com zero de consideração para com os agricultores e seus filhos infantis - muitos dos quais estão agora sofrendo de graves defeitos de nascença causados pelos produtos da Monsanto.

Texto traduzido do Inglês:

Fontes: http://naturalsociety.com/ e http://nosdiasdenoe.blogspot.com.br/
Postado por LIBERTAR às 01:10

Leia mais: http://www.libertar.in/2012/04/monsanto-acusada-de-envenenar.html#ixzz1sECbK5rb


Na contramão de medidas anticrise, movimento ambientalista prega ‘decrescimento’

‘Decrescimento’ em países que ‘se desenvolveram demais’ frearia consumismo

Paula Adamo Idoeta
Da BBC Brasil em Londres


Enquanto países afetados pela crise se esforçam para voltar a crescer e emergentes, como o Brasil, fomentam seu mercado de consumo interno, existe um movimento defendendo o “decrescimento” como a única forma de garantir a sustentabilidade do planeta a longo prazo.

O decrescimento (“degrowth”, em inglês) significaria tirar as economias globais da “perpétua busca pelo crescimento” do Produto Interno Bruto (PIB), reduzindo a escala de produção e consumo, distribuindo melhor recursos e trabalho, com a meta de criar uma economia mais sustentável e frear o uso de recursos naturais.

A proposta não é exatamente nova – já vem sendo defendida há alguns anos por correntes ambientalistas -, mas ganha repercussão com uma conferência sobre o tema em Montreal, em maio, e com o encontro Rio+20, em junho, que reunirá delegações de todo o planeta para discutir sustentabilidade.

Em relatório recém-lançado, o instituto de pesquisas ambientais WorldWatch Institute, dos EUA, dedica um capítulo para defender o decrescimento “nos países que se desenvolveram demais”, ou seja, onde o consumismo e a dívida tomaram proporções excessivas.

O autor do capítulo, Eric Assadourian, um dos diretores do WorldWatch Institute, defende que, “países e populações superdesenvolvidos terão que proativamente buscar o decrescimento, ou seguir no caminho atual até que o litoral se inunde (por conta do aquecimento global) e outras grandes mudanças ecológicas os forcem a não crescer”.

Em entrevista à BBC Brasil, Assadourian explica como esse “decrescimento” poderia ser aplicado na prática, reconhecendo que seria necessária uma significativa mudança na forma como pensamos a economia e o consumo.


BBC Brasil – O que o senhor quer dizer com o “decrescimento em países superdesenvolvidos”?

Eric Assadourian - Países com altos índices de desenvolvimento, como os EUA, abraçam demais o consumismo, apresentam altas taxas de obesidade, excessivo uso de automóveis, tudo isso às custas do meio ambiente.

BBC Brasil – Como esse decrescimento ocorreria, considerando que vemos o consumo como sinônimo de prosperidade?

Eric Assadourian – São quatro pontos-chave: 1. Transformar a indústria do consumo, tornando a ideia da vida sustentável tão natural quanto a ideia de consumir. Por exemplo, a noção de que cada um de nós tem que ter um carro próprio é antiquada;

2. Redistribuir os impostos, cobrando mais de indústrias que poluem, da publicidade (que fortalece o consumismo) e de quem ganha além do necessário para a sobrevivência básica;

3. Reduzir as jornadas de trabalho, dando às pessoas mais tempo, redistribuindo riquezas e gerando mais empregos;

4. Fortalecer a chamada “economia da plenitude”, em que as pessoas plantam mais para prover para sua própria alimentação, cuidar de sua família, aprender novas habilidades, e os recursos são melhores usados. Se podemos produzir um livro da série “Jogos Vorazes”, para ser usado por milhares pessoas em uma biblioteca, porque produzir 10 mil para serem comprados por milhares de pessoas? Teríamos um uso mais eficiente, com a mesma qualidade.

BBC Brasil – Mas haveria uma perda econômica, não? A autora deixaria de vender milhões de livros.

Eric Assadourian - Sim, mas teríamos milhares de árvores de pé. E as pessoas confundem consumo com prosperidade, mesmo que a maioria não esteja próspera. Acumulamos sacrifícios escondidos – por exemplo, na questão da mobilidade. Em vez de andar 400 metros, muitos preferem usar um carro, objeto que custará dois meses de seu trabalho, provocará poluição e ficará parado no trânsito.

Acho que o decrescimento nos deixaria mais ricos. Ganharíamos em tempo e qualidade de vida.

BBC Brasil – Ao mesmo tempo, Barack Obama recentemente comemorou indícios de retomada da indústria automobilística dos EUA, o que reforçaria o crescimento da economia americana em geral. Isso não mostra o quanto a política econômica vai na contramão do que você falou?

Eric Assadourian - Estamos presos num mito de que o crescimento econômico é essencial; a imprensa fica horrizada se não há crescimento. Se eu fosse um líder lidando com uma recessão, não buscaria o crescimento.

“Decrescimento não é o mesmo que recessão. O decrescimento é como uma dieta controlada, em que o objetivo é ficar mais saudável. A recessão é como passar fome. Agora, para fugir da recessão, estamos (os EUA) comendo loucamente de novo”

Eric Assadourian

Veja, por exemplo, que com a crise dos EUA cresceu o número de casas multigeneracionais (filhos morando com pais e avós, por exemplo). Isso estreita os laços e promove economia de gastos com creche e cuidados médicos, porque um ajuda o outro. Assim, temos menos hipotecas e menos gastos, o que pode ser visto como algo ruim para o crescimento econômico. Mas também temos menos pobreza e estamos fazendo mais com menos dinheiro.

BBC BRASIL – Esse seria o lado bom da recessão?

Eric Assadourian - Decrescimento não é o mesmo que recessão. O decrescimento é como uma dieta controlada, em que o objetivo é ficar mais saudável. A recessão é como passar fome. Agora, para fugir da recessão, estamos (os EUA) comendo loucamente de novo, com uma grande parcela da população trabalhando demais e outra sem emprego.

Os países emergentes estão estimulando o consumo interno – algo que, no caso do Brasil, ajudou o país a não ter sido tão afetado pela crise mundial. O decrescimento vale para emergentes?

Para eles, a questão não é apenas decrescer, mas sim combinar isso com crescimento verde – num mix de políticas públicas, que desestimulem a posse individual de carros para desafogar as cidades, melhoras no transporte público e desenvolvimento que não prejudique o meio ambiente. Talvez sua busca tenha de ser por progresso, em vez de crescimento econômico.

BBC Brasil – Os países emergentes estão estimulando o consumo interno – algo que, no caso do Brasil, ajudou o país a não ter sido tão afetado pela crise mundial. O decrescimento vale para emergentes?

Para emergentes como o Brasil, sugestão é apostar em crescimento verde

Eric Assadourian - Para eles, a questão não é apenas decrescer, mas sim combinar isso com crescimento verde – num mix de políticas públicas, que desestimulem a posse individual de carros para desafogar as cidades, melhoras no transporte público e desenvolvimento que não prejudique o meio ambiente. Talvez sua busca tenha de ser por progresso, em vez de crescimento econômico.

BBC Brasil – Dá para convencer um consumidor normal a pensar em termos de decrescimento?

Eu iria pelo caminho do “choice editing” (direcionar as escolhas das pessoas por meio da ação do marketing, políticas públicas, etc). É fascinante como temos pouco controle sobre nossas escolhas, como elas são determinadas inconscientemente. Atualmente, elas são direcionadas para estimular o consumo. Temos que quebrar esse processo, direcionando-o para (promover um estilo de vida) de baixo consumismo.

Você tem as expectativas de que alguma decisão nessa direção seja tomada na Rio+20?

Gostaria de dizer que sim, mas não espero esse nível de decisão política da reunião. Se conseguirmos retomar algum tipo de acordo para o clima, já será muito.

Materia retirada do site abaixo:

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/04/120412_decrescimento_ping_pai.shtml

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Europa lidera em reciclagem de lixo eletrônico

02 de fevereiro de 2010

Recursos gerados pela reciclagem global de lixo eletrônico devem atingir 14,7 bilhões de dólares em 2015
O Mercado mundial de reciclagem de lixo eletrônico irá crescer de US$ 5,7 bilhões em 2009, para quase US$ 14,7 bilhões até o final de 2014, compondo uma taxa de crescimento anual de 20.8%.
Estes números fazem parte da pesquisa “e-Wates Recovery and Recycling”, realizada pela ABI Research. Embora a reciclagem desses materiais seja um destaque na Europa, devido às leis dedicadas a esse assunto, outras regiões do mundo estão se atentando mais para essa tarefa.
Empresas como a Apple estão se empenhando mais em desenvolver produtos ecologicamente corretos.
Dependendo de como forem descartados, os produtos eletrônicos e seus componentes, podem representar um grande problema ambiental ou um potencial gerador de recursos econômicos.
Se tratado corretamente, o lixo eletrônico pode ser reciclado e transformado em um novo produto. Ao contrário, esse tipo de lixo pode contaminar o solo, ar e água, e expor os seres humanos a problemas de saúde.
Os estímulos para esse crescimento incluem ainda aumentar as taxas de coleta e reciclagem de lixo eletrônico; viabilidade para tecnologias inovadoras e de baixo custo; aumento da infraestrutura de reciclagem e formalidade da mão de obra; mercados globais de eletrônicos e seu significativo crescimento no desenvolvimento de economias, e sua integração com o mercado formal e informal de reciclagem em países da Ásia.

A materia encontra-se no link abaixo:

http://pcworld.uol.com.br/noticias/2010/02/02/europa-lidera-a-reciclagem-de-lixo-eletronico/