sexta-feira, 27 de julho de 2012

Poli aponta solução para descarte de esgoto no mar de Santos

24 / 07 / 2012

Após quatro anos de pesquisas, o oceanógrafo Eduardo Lucas Subtil apresenta em estudo um sistema ideal para o pré-tratamento do esgoto lançado pelo emissário submarino de Santos. “O mais viável, pensando na relação custo e benefício e sustentabilidade ambiental, seria o chamado primário avançado, ou seja, após a remoção de sólidos de grande tamanho, aplicam-se produtos químicos específicos que por processos físico-químicos removeriam os sólidos suspensos e outros elementos, como o fósforo”, descreve.

O emissário oceânico de Santos utiliza o sistema de do tipo preliminar, ou seja, faz um peneiramento, retirando as partículas mais grossas da água, lançando o restante no oceano. “Com a quantidade cada vez maior de vazão, o tratamento preliminar do esgoto não é suficiente para evitar que ocorra aumento na concentração de fósforo, um ingrediente básico de detergentes, na água do mar, provocando crescimento de algas, contaminação e morte de peixes e espécies vegetais, além de odores desagradáveis”, explica o oceanógrafo, que apresentou a sugestão em seu estudo de doutorado apresentado no Departamento de Engenharia Ambiental da Escola Politécnica (Poli) da USP. Instalado em 1978, o emissário é o mais antigo do Estado e um dos mais importantes. Atende a uma população de cerca de um milhão de pessoas na Baixada Santista.

Para Subtil, “a remoção de sólidos suspensos combinada com a aplicação de produtos químicos específicos resolveria o problema, até agora tratado muito superficialmente”.

Poder público – O descarte do esgoto na natureza deveria ser uma das prioridades do poder público pelas implicações que acarreta ao meio ambiente e também à saúde humana. Com exceção de emissários clandestinos, que despejam na água de rios, lagos e mares esgotos sem nenhum tipo de tratamento, os emissários oficiais e privados (Sabesp, Petrobras) os condicionam com o objetivo de descartá-los com a menor quantidade possível de impurezas, deixando o restante para a natural dispersão e assimilação na água.

De acordo com José Carlos Mierzwa, professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Poli, pesquisar as melhores maneiras de tratar o esgoto antes de descartá-lo não é uma exclusividade brasileira: “O pesquisadores do mundo todo buscam as melhores soluções, mas Subtil teve o mérito de fazer o caminho inverso, ou seja, partiu de uma situação ideal, a água mais limpa possível, e retrocedeu até achar o melhor e factível sistema, uma solução que pode servir de parâmetro para situações semelhantes”.

Além do preliminar e do primário, há outros dois tipo de sistema, o secundário e o terciário. Cada um promove uma limpeza mais apurada do esgoto, mas o custo acaba sendo muito alto, conforme o nível de limpeza. “No caso do tratamento secundário, ocorre remoção de matéria orgânica, mas não resolveria o problema do fósforo. Por outro lado, apesar de o tratamento terciário remover matéria orgânica e fósforo, a área necessária para instalação desse tratamento é mais do que o dobro do tratamento primário avançado, por isso consideramos o sistema primário avançado como o mais adequado”, justifica o oceanógrafo.

Além da questão do espaço, o ingrediente financeiro relacionado com a operação do sistema de tratamento fortalece ainda mais a escolha de Subtil. “Como parâmetro, uma estação que trabalhe só com tratamento preliminar custa cerca de US$ 5 milhões ao ano para uma vazão de 4 metros cúbicos (m³) por segundo de água. Pular para o secundário significaria um custo de operação oito vezes maior, enquanto que o tratamento primário representaria um custo cinco vezes maior que o preliminar”, explica Subtil.

O professor Mierzwa conta que um emissário que atingisse áreas mais profundas do oceano também ajudaria a resolver o problema em Santos. “A costa brasileira chega, em média a 10 metros de profundidade e seria necessário um emissário muito maior que o atual, que chega a 4,5 km de distância, o que também seria inviável economicamente”, pondera o especialista.

O pós-graduando fez parte de seu estudo na Universidade de Cantabria, na cidade espanhola de Santander. Lá são realizadas pesquisas semelhantes de tratamento de esgotos. Paralelamente, manteve contatos com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que o ajudou a levantar dados para as pesquisas interessada também em obter informações mais precisas visando readequações nas estações de tratamento do Estado.

Na opinião do pesquisador, além de mudança na legislação e na parte técnica, o controle de poluentes despejados nos ambientes aquáticos deve levar em conta também aspectos culturais. “Tanto o poder público como a iniciativa privada devem buscar alternativas para o consumo de água, como o reúso, por exemplo, diminuindo a quantidade de líquido descartado em rios, lagos e oceanos”, sugere Subtil. (Fonte: Agência USP)

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Carrinhos de sorvete que usam energia solar circulam em Amsterdã

25 / 07 / 2012

Uma empresa de design holandesa chamada Springtime desenvolveu um carrinho de sorvetes sustentável. A máquina pode manter o creme intacto com a ajuda da energia solar.

O carrinho é baseado em um sistema que armazena energia solar, captada por painéis fotovoltaicos no teto, em baterias. Estas baterias fornecem energia suficiente para o congelador durante o dia e até em dias nublados, quando o sol não está brilhando.

O telhado do carrinho composto por painel fotovoltaico que pode ser levantado manualmente sempre que necessário. À noite as baterias podem ser também recarregadas na tomada, caso necessário.

Patrocinadas pela empresa Ijs & Zopi, as primeiras unidades do carrinho de sorvete solar já começaram a circular este mês, em Amsterdã, na Holanda. (Fonte: Portal Terra)

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Las Vegas/EUA ganha o maior prédio feito de garrafas do mundo

21 / 07 / 2012

A cidade de Las Vegas, nos Estados Unidos, acaba de ganhar o maior prédio feito de garrafas recicladas do mundo. Ele foi construído em uma área de 2500 metros quadrados.

Para a construção do Morrow Royal Pavilion foram coletadas e reaproveitadas mais de 500 mil garrafas de cerveja consumidas na região. Mesmo assim, ele não aparenta ter sido fabricado com garrafas em sua estrutura.

Isso acontece porque essas garrafas foram usadas como matéria-prima para a fabricação de um material chamado Greenstone. Ele é capaz de substituir o concreto.

Para isso, todo o vidro é triturado em grãos e misturado com cinzas provenientes das sobras de plantas movidas a carvão. Este pó é misturado com outros elementos. Então, a mistura vai para moldes. Quando eles secam, os blocos podem ser usados em toda a construção.

O resultado não transparece qual é o material usado em sua fabricação. O Greenstone deixa a construção com uma aparência antiga. No caso do Morrow Royal Pavilion, essa é uma ótima combinação. O projeto foi inspirado no Hall Swarkestone Pavilion, na Inglaterra, que inclusive já foi capa de um dos álbuns dos Rolling Stones. (Fonte: Exame.com)

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Pesquisa encontra resto de inseticida em golfinhos no litoral brasileiro

19 / 07 / 2012

Estudo publicado na revista “Environment International” aponta que golfinhos do litoral brasileiro estão contaminados por piretroides, compostos usados como inseticidas.

Segundo explica Mariana Alonso, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que liderou a pesquisa, o golfinho está no topo da cadeia alimentar que, portanto, é composta por outros seres vivos que também devem estar contaminados por essas substâncias (por exemplo, uma alga recebe o piretroide da água e é comida por um camarão, que é comido por um peixe, que serve de alimento para o golfinho).

A novidade da pesquisa de Mariana é que antes se pensava que os piretroides se decompunham. Esses inseticidas são usados tanto pela população urbana, por meio, por exemplo, de tomadas antimosquito, como também em atividades rurais. No armazenamento de grãos, por exemplo, eles são usados para evitar que insetos ataquem os alimentos.

No estudo são analisadas amostras de fígado, leite e placentas da espécie Pontoporia blainvillei, conhecida como toninha, que está ameaçada de extinção e existe apenas nos litorais brasileiro, argentino e uruguaio. Foram usadas amostras de exemplares que ficaram presos acidentalmente em redes de pesca no litoral de São Paulo e Rio Grande do Sul.

Os filhotes pesquisados tinham a maior concentração de piretroides, o que levou os pesquisadores a verificar a presença do composto no leite e em placentas, que também se mostraram contaminados. “Eles recebem uma carga muito alta nos primeiros estágios da vida”, observa Mariana Alonso.

Os efeitos dos piretroides sobre a saúde dos golfinhos são pouco conhecidos. Outro estudo liderado pela mesma pesquisadora e publicado na revista “Environmental Pollution”, mostrou a contaminação de golfinhos por retardantes de chama, usados nos mais diversos produtos, como móveis e eletrodomésticos, como forma de diminuir sua suscetibilidade ao fogo. (Fonte: Dennis Barbosa/ Globo Natureza)

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segunda-feira, 23 de julho de 2012

Descubra a beleza dos jardins naturais como meio de preservação da vegetação nativa

Publicado em 14 Julho 2012   

Os jardins estão presentes na vida do homem desde a criação
Talvez, o mais famoso de todos eles, seja o Jardim do Éden que, segundo o criacionismo, fez parte da construção da história da humanidade.

O homem afinal, sempre esteve envolvido com a produção e criação de jardins que, em determinada época da história, serviu para evidenciar o poder da realeza e nos tempos contemporâneos, para trazer beleza para residências e outros locais sem nunca deixar, entretanto, de mostrar certa forma de poder e valor financeiro.

Os jardins naturais, também chamados de jardins ecológicos, selvagens ou "de mato" mesmo, surgiram em meados do século XIX na França e foram criados pelo jardineiro irlandês, William Robinson, um protetor do meio ambiente e da conservação, muito à frente de seu tempo.


Eco Reserva entrevistou Marcelo Korp para falar desse assunto.
Ele vive em Paris, onde faz mestrado em Antropologia pela Universidade Sorbonne e está no Brasil para um trabalho nas aldeias guarani no sul do país.

"Os jardins naturais surgiram como uma resposta aos jardins "quadrados" franceses, onde a mão do homem controlava e impunha à natureza. O renascimento desta forma de jardinagem veio junto com todas as teorias ecológicas que surgiram no mundo no fim do sec XX.
As tradições indígenas de plantio são sem dúvida uma grande inspiração para um jardineiro selvagem.

Viveiros de Castro, antropólogo brasileiro, afirma que a Amazonia não é apenas um terreno selvagem, sem nunca ter tido a mão do homem. Ele diz que a floresta foi espaço moldado pela mão do homem que povoava esta região. Essa "nova" concepção do mundo vegetal abre a possibilidade de pensarmos que a mão do homem nao é apenas nociva à natureza.

Um exemplo famoso desta harmonia natural é o plantio do milho junto com o feijao pelos Guarani. Estes dois alimentos deram origem a um prato feito a base de milho e feijão e que simboliza a forma de se falar Guarani no Paraguay : Guarani-Jopara. Esta forma de falar é a junçao do idioma indígena guarani com o espanhol, onde ambos se integram sem jamais se misturarem completamente", afirma Marcelo.

Como se constrói um jardim selvagem?
Existem varias maneiras de se desenvolver um jardim selvagem. A prefeitura de Paris por exemplo, acompanha terrenos vazios e o desenvolvimento de plantas originárias daquele local, transformando aquele espaço em um pequeno oasis de mata nativa. A mão do homem entra para moldar de forma muito suave estes "jardins de mato".  Digamos que o homem é um espectador da natureza.

Alguns desses jardins nao sao podados, deixando realmente tudo "ao natural". Claro que este é uma versão um tanto radical e cada jardim dependerá de uma forma diferente de pensar a natureza, e claro, as condições do local onde ele esta inserido. As podas levam em conta a estetica do paisagista, algumas plantas serão privilegiadas em detrimento de outras.

As plantas utilizadas são nativas ou contém exóticas também?

Atualmente jardineiros franceses tem se destacado nesta nova forma de jardinar. Nomes como Pascal Cribier e Louis Benech se afirmam como grandes jardineiros que reúnem as plantas locais e a vegetação originária, integrando estes vegetais ao jardim, sem mudar tanto a paisagem. Jardins como o Tuilleries de Paris, ou mesmo o clássico Jardim de Louxembourg ja adotam a questão do plantio ecológico das plantas, onde espécies "amigas" serão postas lado a lado para favorecer o seu desenvolvimento.

Quanto tempo leva para se formar?

Um jardim natural não tem idade para se formar. Um terreno baldio já pode ser considerado um jardim. A grande inspiracao desses jardineiros são justamente terrenos abandonados, ou espacos de calçada por onde a natureza eclode. O jardim natural esta em todos os lugares, basta abrir os olhos.


Qual é a manutenção utilizada? É diferente dos jardins comuns?

A grande diferença é com relação ao uso dos agrotoxicos. O controle ecológico se faz naturalmente. Estes espaços viram refúgio de insetos e pássaros que, provavelmente, não irao incomodar você em sua varanda.

Qual a diferença de custo entre um jardim selvagem e um convencional?

As diferenças de custo também são grandes, mas é claro que vai depender do tamanho do jardim ou da forma que você quer dar a esta nova paisagem e o valor pago a um paisagista.

Hoje o homem olha para os povos que construíram a natureza e a harmonia com o espaço e estão fazendo disso a nova regra para uma convivência pacífica entre todos os seres. Penso que é o fim da diferenciação entre o "nós" e "a natureza". "Agora somos todos um" concluí.

Esta reportagem encontra-se no site eco reserva

quinta-feira, 19 de julho de 2012















Convidamos a todos para o próximo plantio de árvores no bairro Cambuí, em Campinas. É o projeto Cambuí Verde.

Data: 22/7/12 (domingo)
Horário: 8:00 hs.
Local de encontro : Rua Cel. Quirino 1592 -Cambuí
Informações: tel. 32517280 ou nos celulares 9122-3426 / 9113-9312

Venha ser mais um incansável plantador.
O plantio é feito por voluntários. Cada um faz o trabalho que quer e pode chegar e sair no horário que achar melhor.
Ninguém é cobrado e nem faz nada por obrigação.
Se você for participar em outro horário, favor ligar nos celulares para saber onde estaremos.

Compareça e divulgue. Exerça sua cidadania.


Movimento Resgate o Cambuí




VIDEOS ÙLTIMO PLANTIO

Plantio-Mutirão 17/6/12 (1/5)
 
http://www.youtube.com/watch?v=5H7MY5Qmrqw

 



 Plantando árvores, garantindo a vida.
 
http://www.youtube.com/watch?v=W44wiXZsIWE  (Canal Campinas)



LINKS RESGATE CAMBUÍ

FOTOS ÚLTIMO PLANTIO (17/6/12)
Plantio da árvore...


da grama amendoim...



regando...


manutenção de canteiros antigos...


limpeza em volta dos canteiros antigos e novos.......serviço completo.









terça-feira, 17 de julho de 2012

A maior ponte solar do mundo


((o))eco
05 de Julho de 2012



Quando as obras sobre o Rio Tâmisa estiverem concluídas e mais de 4.400 painéis fotovoltaicos estiverem instalados, o novo terminal de Blackfriars, em Londres, terá se tornado a maior ponte solar do mundo, capaz de gerar anualmente 900.000 KWh de eletricidade. Isto equivale a 50% de toda a energia consumida pela estação e reduz as emissões de CO2 em 511 toneladas por ano. Além dos painéis solares, a estação também terá outras medidas de conservação de energia, como um sistema de coleta de água da chuva e tubos que conduzem luz natural para iluminar o interior da estação. Foto: Ralph Hodgson/Solar Century

Para saber mais acesse ((o))eco

segunda-feira, 16 de julho de 2012














Um dos objetivos do Movimento Resgate o Cambuí é o plantio de árvores.
Já plantamos mais de 200 árvores no bairro.
O trabalho é grande pois envolve  abertura dos canteiros, orientação técnica, autorização do morador e do órgão público, material e ferramentas, disposição das pessoas para participar e ajudar, etc...
Ainda faltam muitas árvores, mas fazemos parte do grupo dos incansáveis plantadores e não desistimos....

Veja o vídeo editado pelo Canal Campinas, no último plantio em junho 



Se você quer uma cidade melhor, junte-se a nós.

Movimento Resgate o Cambuí

Só 12% das prefeituras dão atenção a transparência


Uma mesma pergunta foi feita às administrações de 133 cidades a respeito da contratação de funcionários de confiança. Apenas 16 responderam

por Mariana Haubert | 13/07/2012



No site da prefeitura de Novo Hamburgo, as informações sobre transparência pública aparecem com destaque
Com a entrada em vigor da Lei de Acesso a Informação, há quase dois meses, era de se esperar que os órgãos públicos estivessem mais atentos às novas regras, e sobretudo, se mostrassem mais abertos à nova cultura da transparência. No entanto, a situação nos municípios brasileiros é preocupante. Um levantamento inédito, realizado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e divulgado com exclusividade pelo Congresso em Foco, mostrou que, de 133 cidades com mais de 200 mil habitantes, apenas 16 foram capazes de responder a um simples pedido de informação.
Para fazer o Mapa do Acesso 2012, a mesma pergunta foi feita a todas as prefeituras e ao Distrito Federal: quem são, quanto recebem e que cargos ocupam todos os funcionários que foram indicados pelo poder Executivo local. São pessoas que estão em postos de chefia, direção ou assessoria, e que não precisam, necessariamente, fazer concurso público para assumir o cargo. Elas são indicadas e podem ser exoneradas a qualquer momento.
As cidades que responderam foram: Brasília (DF), Londrina (PR), Cariacica (ES), Caucaia (CE), Sorocaba (SP), Serra (ES), São Carlos (SP), Florianópolis (SC), Blumenau (SC), Novo Hamburgo (RS), Belo Horizonte (MG), Taubaté (SP),Campinas (SP), Curitiba (PR), Caxias do Sul (RS) e Porto Alegre (RS).
Segundo a coordenadora do projeto, Ivana Moreira, a lei é apenas um passo. “A luta de toda a sociedade brasileira agora é no sentido de fazer a lei pegar, ou seja, pressionar os governos para quem cumpram as novas regras”. Ela já esperava que os municípios demonstrassem dificuldade em responder à pergunta. “A experiência do Mapa do Acesso nas edições anteriores mostrou que a esfera municipal é sempre a de respostas piores. Enquanto no nível federal já existe um comprometimento com a política de transparência, nos municípios, mesmo na capital, não existe nem a cultura nem o investimento nas ferramentas que facilitam o acesso”, disse ao Congresso em Foco.
O que impressionou, porém, foram as respostas para as negativas. “Apesar de não termos nos surpreendido com os números, as alegações para não prestar as informações é que foram chocantes. Isso é preocupante porque mostra que o agente público não trabalha em prol do cidadão. Existe uma cultura de controle da informação. Como se o governo fosse uma instituição privada que só presta satisfação aos seus acionistas – no caso, os membros do próprio governo”, disse.
Proibidos pelos prefeitos
Alguns secretários e assessores chegaram a dizer que tinham consciência sobre a nova legislação que preza pela transparência, mas que estavam proibidos pelos prefeitos de passar tais informações. Segundo registrou o levantamento, a prefeitura de Betim, em Minas Gerais, informou que, em ano de eleição, a informação requerida não podia ser prestada sem antes ser dada uma explicação ao secretário sobre como e qual a necessidade de divulgar tais dados.
Já um secretário da prefeitura de Gravataí, no Rio Grande do Sul, trocou e-mails com uma das pessoas que ajudaram no levantamento dizendo estar “realmente curioso em saber (sic) para que vão lhe servir os nomes [escrito em caixa alta] de pessoas que residem tão longe do alcance de tal rádio”. Em Petrópolis, no Rio de Janeiro, foi informado que o levantamento de todos os servidores da prefeitura demoraria um ano e que tal solicitação poderia ser feita novamente no final deste ano, quando “talvez” já fosse possível responder ao pedido.
As prefeituras foram questionadas em dois momentos. No primeiro, foi informado que os dados solicitados seriam usados em reportagem. No segundo, foi dito que as informações seriam utilizadas para consolidar o levantamento. De acordo com a Abraji, a metodologia adotada é uma forma de perceber se os órgãos públicos entendem que o acesso a informação é um direito de todos ou se fornecem o que foi pedido de acordo com a finalidade do uso de tais dados.
As respostas consideradas satisfatórias foram aquelas em que os órgãos realmente enviaram planilhas com as informações requeridas. Grande parte das administrações, no entanto, omitiu o nome dos funcionários, que foram identificados apenas pelo número de matrícula. Também foram consideradas satisfatórios os casos em que a prefeitura já havia publicado os dados em seu site ou em seu Portal da Transparência.
A informação não vem mastigada
Mesmo no caso das cidades que a Abraji considerou que responderam à pergunta solicitada, a resposta não veio necessariamente com o grau de detalhamento e clareza ideal. Nada como uma lista única contendo nome, cargo e remuneração completa, no formato recomendado pela presidenta Dilma Rousseff no decreto que regulamentou a Lei de Acesso. A prefeitura de Novo Hamburgo (RS), por exemplo, possui todas as informações pedidas, mas não num único arquivo.
Em ponto destacado da página inicial do site de Novo Hamburgo, no alto da coluna à esquerda, há com destaque um link para a Lei de Acesso à Informação. Ali, além de detalhes sobre a lei, há explicações ao cidadão sobre como pode fazer um pedido de informações. No canto direito da página inicial, há um link, também destacado para o Portal da Transparência. E, ali, numa coluna à esquerda, encontra-se o link para todas as informações sobre a folha de pessoal da prefeitura. Mas elas estão em quatro arquivos diferentes. Um tem a lista de todos os servidores municipais. Outro tem a lista de cargos com seus respectivos salários. Um terceiro define o padrão salarial de cada carreira. E o último as vagas ocupadas. Para, portanto, saber quem são os funcionários e quanto cada um deles ganha é preciso cruzar os dados das quatros listas.
É relativamente fácil, porém, saber, de acordo com as informações, que o prefeito de Novo Hamburgo, o petista Tarcísio Zimmermann, recebeu R$ 16,5 mil por mês para administrar a cidade.
Histórico do mapa de Acesso
Este é o quinto Mapa do Acesso que a Abraji realiza, e o primeiro durante a vigência da Lei de Acesso a Informação. Os objetivos dos estudos são medir o grau de acesso a informação no país e verificar a aceitação da legislação vigente como argumento.
Os levantamentos são sempre realizados em duas fases. Na primeira, as informações que deveriam ser de domínio público são solicitadas por um repórter sem mencionar o estudo. Na segunda fase, as mesmas informações são novamente solicitadas, exceto se já tiverem sido respondidas anteriormente. Neste momento, os pesquisadores informam que elas embasaram um estudo da Abraji e citam a legislação vigente.
Em 2007, a associação questionou 120 órgãos dos três poderes no âmbito estadual. Apenas 5,8% dos órgãos responderam completamente. Outros 40% enviaram respostas parciais e mais da metade não respondeu nada. A região Sudeste foi a menos transparente, sendo que no Rio de Janeiro nenhum dos órgãos atendeu à demanda. No Nordeste, todos os estados deram algum tipo de resposta.
No ano seguinte, o estudo abarcou os poderes Executivo e Legislativo das 26 capitais. Ao todo, 52 órgãos foram contatados. Foram solicitados os salários dos prefeitos e secretários municipais, além da relação dos vereadores e chefes de gabinete. Foi pedido também o valor gasto com verba de representação nos últimos quatro anos nas câmaras e nas prefeituras. Neste caso, mais de 85% dos órgãos não respondeu.
Em 2009, a Abraji quis saber quem eram os ocupantes de cargos efetivos e comissionados com os respectivos salários na Presidência da República, na Câmara dos Deputados e no Senado, no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça. Apenas o STF respondeu de forma completa ao questionamento. A Presidência informou parcialmente suas informações e os demais órgãos não deram qualquer tipo de resposta.
Em 2010, os poderes Executivo e Legislativo estaduais voltaram a ser testados devido a entrada em vigor da Lei Complementar 131, conhecida como Lei da Transparência, que obriga União, estados e municípios com mais de 100 mil habitantes a divulgar informações sobre a execução orçamentária. Foram questionados os valores gastos com diárias de viagem pagas ao governador e aos titulares das secretarias, os valores gastos com publicidade pela Secretaria de Governo e o quanto se gastou com verba de representação de parlamentares. Todos os dados foram pedidos no período entre 2007 a 2009. Mesmo com uma lei mais específica em vigor, 60% não respondeu e o restante deu respostas incompletas.
No ano passado, as secretarias de Segurança Pública e de Justiça também voltaram a ser testadas. Foram perguntados quantos detentos estavam nas unidades prisionais e o quanto se gastou com cada uma das unidades, durante os anos de 2007 a 2010. Mais da metade dos estados, 14 deles, deram respostas insatisfatórias. Os outros, simplesmente ignoraram as solicitações.
O Mapa do Acesso 2012 será apresentado neste sábado (14) no 7º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, em São Paulo.







Eleições municipais, tempo de pensar em cidades para pessoas


Daniel Santini
12 de Julho de 2012


Um artigo opinativo com o título “Mais bicicletas, mais acidentes”, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo nesta semana, provocou polêmica sobre o direito e a prudência de se trafegar com bicicletas em cidades. Na esteira de informações descontextualizadas e conclusões precipitadas tomadas sem nenhum critério científico ou cuidado, veio a enxurrada de comentários em redes sociais classificando como suicidas ou malucos os que optam por tal alternativa e reforçando a ideia de que ruas e avenidas devem ser exclusivas para veículos motorizados. Em tempo de eleições municipais, vale discutir: as cidades devem ser feitas para automóveis ou pessoas? Será que o temerário, em termos de saúde pública e segurança, é buscar alternativas ou manter o sistema atual de mobilidade baseado em carros acelerando cada vez mais rápido em zonas residenciais?


O texto do Diário Oficial, que merece atenção especial por estar em uma publicação oficial bancada com dinheiro dos contribuintes, tem como base principal informação divulgada no final de junho pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo. Segundo levantamento feito pela pasta, 9 ciclistas são internados por dia vítimas de acidente de trânsito e ao menos um deles morre no estado todo ano. Quando a informação foi divulgada, o Outras Vias entrou em contato com a assessoria de imprensa responsável para obter dados detalhados sobre onde aconteceram tais acidentes, quem são as vítimas, qual a relação entre o número de acidentes, a densidade demográfica das regiões e a evolução do uso de bicicleta como transporte, bem como informações relativas a internações e evolução de acidentes envolvendo motoristas, motociclistas e pedestres.
 

Somente com dados completos e contextualizados é possível chegar a conclusões tal fortes como as apresentadas no texto. Conforme análises publicadas nos blogs Vá de Bike e Na Bike, estudos anteriores apontam justamente o contrário do que a manchete do texto deixa a entender. Quanto mais bicicletas nas ruas, menor é o número de acidentes.
Quem pedala nas cidade e vive o trânsito, sabe disso.



Velocidade e cidades para pessoas
O pedido de mais informações sobre os acidentes de bicicletas foi enviado para a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde em 29 de junho e, até hoje, 13 dias depois, nenhuma informação mais completa foi disponibilizada. Em vez de permitir acesso ao levantamento no qual foi baseado o texto enviado para as redações, incluindo a do Diário Oficial, ou pelo menos detalhes que permitam uma abordagem mais completa sobre o tema, a assessoria de imprensa da pasta enviou ao Outras Vias um boletim com dados antigos do Instituto de Ortopedia do Hospital das Clínicas sobre o aumento do número de acidentes grave de motos. Não é suficiente, mas ajuda a ilustrar a necessidade de contextualizar informações para discutir mudanças, restrições e políticas públicas.

A questão das motos é um problema que, ao contrário dos acidentes envolvendo bicicletas, tem recebido atenção e sido bem contextualizada por profissionais como os médicos Júlia Greve e Marcelo Rosa de Rezende. Os dois estão por trás do Programa de Redução de Acidentes, o HC em Movimento, e tem procurado chamar atenção para a necessidade de mudanças urgentes no que se refere ao transporte individual motorizado, em especial motos. "Mudar significa tirar o pé do acelerador, diminuir a velocidade,



usar o veículo com responsabilidade e sabedoria, valorizar o transporte coletivo e preservar o espaço urbano para as pessoas. As cidades são feitas para pessoas e não para veículos", afirma a médica Júlia Greve, segundo o informe enviado.
Pensar em cidades para pessoas é justamente o ponto chave para se reduzir não só o número de acidentes, mas também o da poluição alarmante do ar – outra zona cinzenta, que coloca em risco a saúde de todos da cidade. Apesar de subnoticiados e tratados sem a atenção necessária pelos governantes, os índices de acidentes de trânsito e os de doenças respiratórias são alarmantes nos centros urbanos do país. Como apontado pelo Outras Vias na semana passada, especialistas do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) alertam que o monitoramento da qualidade do ar nas metrópoles brasileira é precário e insuficiente e que há necessidade urgente de revisão e atualização dos índices limites hoje vigentes.  Um estudo neste sentido, este sim científico, recheado de dados, contextualização e informações completas, esta prestes a ser divulgado.

É com dados que se combate preconceito e sensacionalismo. Queiram os incomodados ou não, sa pessoas estão se envolvendo, se organizando e buscando dados, a cobrança por mais transparência em relação a informações que devem ser públicas aumenta, e isso vai se refletir nas eleições. Não por acaso, em todo o Brasil grupos de ciclistas pressionam para que os candidatos às Prefeituras e às Câmaras Municipais de todo o país assumam compromissos em relação a mudanças necessárias. Neste final de semana, em São Paulo, dois candidatos à prefeitura, Gabriel Chalita (PMDB) e Fernando Haddad (PT) se dispuseram a discutir e assumir compromissos por mudanças. E é só o começo.

As imagens que ilustram este artigo foram todas tiradas da coleção de
clippart do Apocalipse Motorizado

Esta reportagem é do site: http://www.oeco.com.br/outrasvias/26232-eleicoes-municipais-tempo-de-pensar-em-cidades-para-pessoas?utm_source=newsletter_440&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco