sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Acesso precário deixa bairro sem ambulância

Moradores do Jardim Novo Itaguaçu, na região Sudoeste de Campinas, vivem em local afastado e sem estrutura

24/01/2012

Moradores do Jardim Novo Itaguaçu, na região Sudoeste de Campinas, vivem um verdadeiro drama. O bairro afastado e aparentemente abandonado está próximo do Aeroporto Internacional de Viracopos e não oferece a mínima infraestrutura a seus habitantes. Para piorar a situação, quando vêm as chuvas, as ruas de terra ficam intransitáveis. Passar pela única via que dá acesso ao bairro, que fica em um aclive, se torna impossível. Cerca de 5 mil famílias vivem na região.

A doméstica Nilda Vieira dos Santos, de 34 anos, mora com o marido e quatro filhos em uma das últimas ruas do Itaguaçu. Como não existem linhas de ônibus, ela precisa caminhar cerca de 30 minutos todos os dias até a Rodovia Anhanguera para conseguir pegar um circular. No período de férias Nilva ainda leva o filho mais novo, de apenas dois anos, que também tem de encarar as ruas barrentas e esburacadas do bairro. Ela conta que o marido possui um veículo, mas que fica na garagem. “Quando chove não tem como sair de carro.”

A dona de casa Cláudia Rodrigues da Silva, de 29 anos, que mora há oito no Novo Itaguaçu, aponta ainda mais problemas. “Quando fica doente aqui é complicado, ambulância não entra se estiver chovendo”, afirmou. “Se cair chuva, quem está lá fora do bairro não entra e quem está aqui não sai.”

Os caminhões de lixo também não estariam passando há um mês pelo bairro. “A última vez que o lixeiro passou foi no Natal”, disse Cláudia. Para evitar acúmulo de sacos na porta das casas, os moradores estão queimando o lixo. A dona de casa relatou que já ligou na Prefeitura inúmeras vezes pedindo um apoio emergencial, mas nunca foi atendida. “A gente queria que jogassem cascalho pelo menos na rua principal, não precisa ser no bairro todo”, pediu.

O pintor Ronaldo da Rocha Machado, de 52 anos, mora com a família em uma casa do Novo Itaguaçu e afirma que a chuva isola o bairro. “Não temos para onde correr quando começa a chuva.”

Devido às inúmeras promessas de desapropriação da área, e das incertezas que cercam o bairro, as casas são alugadas por até R$ 200,00. Com as chuvas intensas das últimas semanas e com a previsão nada animadora, que promete ainda mais chuvas até o final de fevereiro, os moradores da região imploram por ajuda da Administração.

Na segunda-feira passada, uma chuva leve que atingiu o bairro já foi suficiente para deixar as ruas intransitáveis. Os carros que se arriscavam deslizavam sem controle pelas vias e alguns chegaram a atolar. Um motociclista tentou subir a via que dá acesso ao bairro, mas caiu duas vezes.

A Prefeitura de Campinas informou que uma licitação para contratação de maquinário foi aberta e a previsão é de que entre 15 e 20 dias a Administração Regional 6 tenha condições de realizar os serviços necessários nas ruas, que já estariam, inclusive, previstos no cronograma da AR. No entanto, a execução dos serviços depende das condições climáticas, já que a chuva atrapalha a colocação de cascalhos nas ruas, informou a Prefeitura.

Mais problemas
A Prefeitura confirmou que as condições das ruas interferiram na coleta de lixo e os caminhões que faziam o serviço no bairro não estão circulando porque o trecho de itinerário esta crítico. A Administração Municipal informou que é necessário que a população verifique os trechos onde há coleta e levar o lixo até os caminhões, até que a AR melhore as condições das vias.

Sobre a desapropriação da área, a Administração informou que trabalha como se o local não fosse ser desapropriado, e irá continuar as melhorias na infraestrutura do bairro. A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) confirmou que o Novo Itaguaçu está na área que será desapropriada para a expansão do aeroporto de Viracopos.

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