quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Fios e postes, desapareçam!

Estudos mostram que redes subterrâneas, além de melhorar a estética, também são muito mais seguras e bem mais econômicas ao longo do tempo


De um modo geral, as pessoas sempre pensaram que as redes subterrâneas de distribuição de energia elétrica eram caras demais para serem instaladas, por isso a escolha comum era sempre pelas redes aéreas – sim, aquelas formadas por milhares de postes, fios e acessórios à mostra, que tanto enfeiam as paisagens das cidades brasileiras.
Contudo, se por um lado as redes aéreas (RDA) são mais baratas de instalar, por outro elas têm um custo de manutenção e de operação elevado depois de instaladas. Isso sem contar que elas também são bem menos seguras e que estão constantemente sendo danificadas pelas ações do meio ambiente.
É por tudo isso que os técnicos e engenheiros de todo o Brasil já estão mudando aquela antiga idéia de optar sempre pelas redes aéreas. Quase todos os novos projetos considerados modernos e seguros já estão utilizando as redes subterrâneas de distribuição de energia (RDS), uma tendência que está chegando para ficar.





Questão de confiabilidade

Para entender porquê as redes subterrâneas são tão mais confiáveis e seguras, é preciso entender primeiro por que as redes aéreas são tão sensíveis e perigosas.
Acontece que os fios que passam pelas redes aéreas ficam diretamente expostos ao contato com as árvores. É preciso podá-las sempre para que a rede elétrica não acabe sendo desligada por elas, interrompendo o fornecimento de energia para os cidadãos. Podar uma árvore custa cerca de 10 dólares. Isso significa que, nas grandes cidades brasileiras, gasta-se de 4 a 7 milhões dólares por ano com a poda de árvores.
Mas este não é o único problema que ameaça as redes aéreas. Uma vez que os cabos ficam expostos, as intervenções para consertos também precisam ser freqüentes. Os danos são causados por acidentes com veículos que atingem os postes, raios (descargas atmosféricas), chuvas, contaminação ambiental (poluição, salinidade), ventos e pássaros.
No aspecto confiabilidade, as redes subterrâneas são muito mais eficientes principalmente porque não sofrem as interferências do ambiente externo. Por estarem enterradas, elas ficam a salvo desses problemas.
E esta confiabilidade ainda pode ser ampliada com estratégias inteligentes, como as configurações dos circuitos em forma de anel. Esse desenho permite que a rede seja alimentada por dois pontos (lados), deixando apenas parte da rede desconectada em caso de queda do sistema.
Já as redes aéreas são normalmente radiais (espalham-se como os galhos de uma árvore) , ou seja, se um ponto for interrompido, toda a rede além daquele ponto ficará sem abastecimento. É aí que surge o problema da energia não-distribuída (END), uma perda em dose dupla, impossível de ser recuperada. O fornecedor de energia perde porque deixa de vender, enquanto o usuário fica insatisfeito porque não recebeu a energia.




Segurança acima de tudo

É cada vez maior o volume de equipamentos que contribuem para o bem-estar dos cidadãos modernos. Videocassetes, rádios-relógios, TVs e telefones sem fio param de funcionar quando acaba a luz. Por isso, com o adensamento da população nas grandes cidades brasileiras (segundo o IBGE, 40% da população está concentrada nas 23 áreas metropolitanas do País), é cada vez mais importante poder garantir que a rede elétrica não venha a falhar.
Há também os equipamentos considerados "cargas sensíveis" (computadores, periféricos, sistemas de telefonia e automação, etc.). Esses equipamentos, que sofrem com as variações de carga e interrupções causadas pelas redes aéreas, precisam da constância e da melhor qualidade da energia transmitida pelas redes subterrâneas.
Atendendo a distribuição desde baixas até médias tensões (35 kV), as redes subterrâneas de energia são muito mais seguras porque utilizam cabos isolados, ou seja, o campo elétrico fica confinado dentro deles. Mesmo que encoste sua mão no cabo em operação, você não sofrerá choques.
Já no caso de redes aéreas, infelizmente é grande o número de pessoas que morrem todo ano devido aos acidentes com os fios, que em sua maioria são construídas com cabos não-isolados. Quem não ouviu falar do perigo que as crianças correm ao empinar papagaios próximos das redes elétricas?
Além disso, há crescente preocupação de que a proximidade dos campos magnéticos e elétricos possa causar sérias doenças às pessoas que residem perto das redes. Os cabos isolados das redes subterrâneas reduzem sensivelmente os campos magnéticos e eliminam por completo os campos elétricos do sistema.
Desse modo, as redes subterrâneas estão sendo cada vez mais utilizadas porque trazem grandes benefícios de segurança, confiabilidade e economia para as comunidades onde estão instaladas. Quando se somam os custos da poda de árvores, da interrupção do fornecimento de energia, dos custos sociais, da falta de segurança e da não-produção, fica ainda mais fácil notar que ao longo do tempo as redes subterrâneas são muito mais vantajosas, tanto para quem instala quanto para quem as utiliza.
Nos países da Europa, onde as redes subterrâneas de distribuição já ultrapassam na média os 20% do total de redes elétricas instaladas (podendo chegar a 80% nas grandes cidades), o custo ao longo do tempo de vida do sistema é sempre menor do que o custo inicial da instalação. Na Alemanha, esse investimento se mostra 24% mais barato; na Finlândia, 35%; na Espanha, ele é 66% menor.















Novas técnicas chegando

É importante saber que já existem alguns tipos de redes subterrâneas mais simples, que possibilitam a melhoria do desempenho do sistema sem exigir altos investimentos.
Antes, se costumava instalar as redes subterrâneas em bancos de duto: primeiro se construíam os dutos, depois os cabos eram puxados por eles. Se fosse necessário trocar os cabos, esta técnica permitiria retirar os fios sem ter que abrir o solo, fazendo novas obras. Acontece que os dutos são os principais "encarecedores" do custo de instalação. Para resolver essa questão, surgiram novas técnicas que estão barateando a instalação das redes subterrâneas. Acompanhe:
Cabos diretamente enterrados - esta técnica, muito empregada na Europa, elimina o banco de dutos, reduzindo o custo da instalação inicial. Nos últimos anos os cabos passaram por grandes evoluções e estão muito mais resistentes aos impactos e à umidade. A construção moderna dos cabos permite que eles durem pelo menos 30 anos, dispensando a construção de dutos ou outros recursos de proteção.
Trenchless (também conhecida como perfuração guiada ou método não-destrutivo) - esta solução permite instalar a rede sem a abertura de valas. Pode ser encontrada principalmente nas travessias de rodovias, e sua grande vantagem é não causar o congestionamento das áreas por onde passa.
Arado ou Valetadeira - técnica onde um trator reboca uma bobina de cabos. A mesma máquina faz a abertura do solo, a colocação do cabo e o recobrimento, em uma única operação, barateando a instalação.
Caixas de emendas pré-moldadas - de trechos em trechos, as redes subterrâneas exigem a colocação de emendas. Hoje existem estruturas prontas, moldadas em concreto ou fibra de vidro, que facilitam a instalação, eliminando a necessidade de se construir caixas de emendas.
Acessórios desconectáveis - para instalações de média tensão (até 25 kV), podem ser usados os acessórios desconectáveis, com maior flexibilidade de operação.
Equipamentos montados acima do solo - também chamada pad-mounted, esta técnica evita a necessidade de se construir grandes caixas enterradas para abrigar equipamentos de transformação e seccionamento. Com ela, economiza-se os custos com a construção da caixa e com o uso de equipamentos submersíveis.

Novidades para redes subterrâneas

A Pirelli tem cabos especiais isolados de baixa e de média tensão para uso enterrado, além de acessórios desconectáveis e emendas contráteis a frio, que são totalmente pré-fabricadas, resistentes a umidade e adequadas para esse tipo de aplicação.
Para os circuitos de distribuição, há uma linha completa de cabos de cobre ou alumínio, isolados em PVC, EPR e XLPE, para instalação em dutos, canaletas ou diretamente enterrados. Tratam-se das linhas Eprotenax e Voltalene (média tensão) e Sintenax, Gsette e Voltalene (baixa tensão).
Há também os novos cabos Air Bag, que são altamente resistentes a impactos mecânicos provenientes da compactação do solo. Estes cabos foram desenvolvidos para trabalhar diretamente enterrados. Uma camada protetora especial torna os cabos Air Bag diferentes de tudo o que já foi criado no segmento de cabos elétricos (acompanhe detalhes sobre mais este lançamento Pirelli em nossa próxima edição).

Valorizando o patrimônio

Outro motivo pelo qual a opção pelas redes subterrâneas está crescendo a cada dia é o aumento da construção de condomínios residenciais ou comerciais fechados, cada vez mais comuns em todo o País. As pessoas estão percebendo que, neste tipo de empreendimento, a rede subterrânea valoriza muito o condomínio, com um custo inicial hoje bem mais acessível.
Um exemplo real: em um condomínio de residências com valores de US$ 45 mil, o custo da rede subterrânea por casa foi de US$ 561. Se fosse adotada a rede aérea seria US$ 134. Assim, a diferença ao se adotar uma rede subterrânea é de US$ 427, ou seja, apenas 0,95% do imóvel.
Outro exemplo parecido mostra um condominínio de casas avaliadas em US$ 85 mil, em que o custo da rede subterrânea por unidade foi de US$ 965. O valor para o uso da rede aérea seria de US$ 199, uma diferença de US$ 766 e que representa apenas 0,90% do imóvel.
Na ponta do lápis, esses dados nos mostram que a adoção de uma rede subterrânea representa um investimento inferior a 1% do custo do imóvel. Considerando-se os ganhos econômicos, estéticos e de segurança, fica claro que não vale mais a pena instalar redes aéreas, pois o lucro final do imóvel será bem maior com redes subterrâneas.
Além disso, os usuários ainda têm a garantia de que não haverá interrupções no fornecimento de energia por motivo de falha na rede local. Se você é instalador e costuma fazer redes para incorporadores, pode orientar seus clientes nesta direção.
Também nas instalações industriais e comerciais, a escolha da rede subterrânea promete sempre resultar em economia na manutenção e em maior segurança e confiabilidade na utilização.


Atualmente, no Brasil apenas 3% das redes elétricas instaladas são subterrâneas. Elas estão presentes principalmente nas áreas onde são a única solução técnica viável, devido à sobrecarga no centro das grandes cidades, onde as redes aéreas não seriam suficientes para suprir a demanda de energia. Rapidamente, porém, este quadro está mudando.
Como vimos, não apenas nestes casos, mas em qualquer nova instalação elétrica a rede subterrânea deve ser considerada, pois seu maior custo inicial se mostra amplamente compensado pelas inúmeras vantagens que só ela é capaz de oferecer.

Arquitetos avaliam a importância das redes subterrâneas

Sig Bergamin, Arquiteto graduado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos - "Vejo as redes subterrâneas de energia como uma evolução estética.
Elas representam um grande passo para o embelezamento das cidades, o que contribui para a melhoria da qualidade de vida das pessoas, pois o campo visual fica mais claro, menos poluído. Algumas áreas da cidade do Rio de Janeiro foram submetidas ao processo de enterramento dos cabos, e a diferença resultante foi fantástica. Em cidades como São Paulo, esse processo traria um alívio visual extraordinário, reduzindo a quantidade de fios e postes que parecem proliferar a cada dia. Para a arquitetura em geral, as vantagens são a facilidade de instalação com a isenção de postes, muitas vezes inconvenientes em relação ao projeto. É a tecnologia ideal para o planejamento de novos bairros e loteamentos."

Flavia Ralston, arquiteta formada pela FAU/USP - "O uso de redes enterradas possibilita projetos mais ‘limpos’, com efeito visual muito mais agradável e harmonioso.
A região central da cidade de São Paulo, por exemplo, segue o conceito de redes subterrâneas de suprimento de energia. É uma região onde não se verifica o efeito ‘paliteiro’ provocado pela difusão descontrolada de postes nas vias públicas das demais regiões da cidade.
A segurança também é um fator importante a ser considerado. As instalações subterrâneas estão menos sujeitas aos efeitos nocivos provocados por fenômenos climáticos, acidentes e vandalismos. Quando adequadamente acondicionadas, sofrem menos desgaste, o que eleva a vida útil da instalação, com reflexos positivos nos custos com reparos, reposição e manutenção.
As cidades marítimas também podem se beneficiar desse conceito para reduzir a ação da maresia sobre os elementos da rede instalados à beira-mar. Destaco também que as redes subterrâneas contribuem para a preservação do meio ambiente, com a minimização da carga magnética e energética que se dissipa das instalações elétricas aéreas convencionais."

Adriana Tupinambá, arquiteta e urbanista formada pela Faculdade de Belas Artes de S. Paulo - "Nos últimos anos houve um grande desenvolvimento da tecnologia, tornando obsoletos os recursos de infra-estrutura existentes, que não davam mais conta do dimensionamento necessário para o bom funcionamento das cidades.
Um bom exemplo são as cidades planejadas dos subúrbios americanos, cujos cabeamentos são subterrâneos, assim como as instalações de gás, eletricidade e telecomunicações. Seria ideal para as grandes cidades brasileiras se existissem condições políticas e econômicas que favorecessem a instalação desses cabeamentos, já que eles proporcionariam, além da melhoria dos serviços públicos, um melhor desenho para as ruas, praças e avenidas.
Esta beleza plástica criada pelos cabeamentos subterrâneos funciona tanto nos ambientes externos quanto nos internos, possibilitando aos usuários uma maneira de viver muito mais prática e funcional."

Plinio de Toledo Piza, arquiteto da Toledo Piza & Cabral - "Há uma enorme diferença quando se vê uma fotografia de um espaço visualmente bem-elaborado, sem interferências da fiação aérea, onde o paisagista consegue colocar a sua visão da paisagem na totalidade, conforme seu projeto.
O nosso escritório tem se empenhado em garantir, nos nossos projetos de loteamento, que toda a fiação conte com redes subterrâneas. É outra paisagem, muito mais livre e pura.
De fato, a poluição visual nas concentrações urbanas muito se deve aos cabeamentos aéreos. Acredito que os empreendedores de loteamentos, inicialmente para a classe A e depois para todas as classes, irão optar cada dia mais pelos cabos subterrâneos. A pressão por uma melhor qualidade de vida (incluídas aí não só a questão estética, mas também a manutenção e a conservação) resultará em um melhor custo-benefício na opção por esta solução técnica."

http://www.prysmianclub.com.br/revista/PClub_12/materia_de_capa.htm

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